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domingo, 04 de janeiro de 2026
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EUA propõem canal sobre incidentes de IA à China, mas preservam disputa por chips

Washington propôs à China um mecanismo de notificação para incidentes de IA com impacto à segurança nacional, enquanto manteve fora da iniciativa os controles sobre chips avançados.

EUA propõem canal sobre incidentes de IA à China, mas preservam disputa por chips

Estados Unidos e China encerraram em Nova York uma rodada de negociações de alto nível sem anunciar um novo acordo principal, mas Washington colocou na mesa uma proposta que leva a rivalidade tecnológica para um terreno mais sensível: um canal bilateral para notificar incidentes de inteligência artificial capazes de gerar preocupação de segurança nacional.

A proposta foi apresentada pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, nas conversas com o vice-premiê chinês He Lifeng e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Bessent defendeu mais transparência entre os dois países e comunicação sobre objetivos e ameaças comuns. O alcance prático da iniciativa, porém, ainda é incerto: não há indicação de que Pequim a tenha aceitado ou de que o mecanismo tenha sido formalizado.

O ponto central é menos cooperação tecnológica do que redução de risco. Um canal de notificação não elimina a disputa pela liderança em IA nem obriga os governos a compartilhar capacidades estratégicas. Ele poderia, se avançar, criar uma via de contato para impedir que um episódio considerado grave por um dos lados seja interpretado pelo outro sem comunicação prévia. É uma tentativa de administrar crises dentro de uma competição que continua aberta.

Essa separação aparece na fala de Greer. Segundo ele, os controles de exportação sobre chips avançados de IA e equipamentos para fabricar semicondutores ficaram fora do mecanismo proposto. Na prática, Washington sinaliza disposição para discutir formas de comunicação sobre riscos, sem colocar em negociação imediata as restrições que limitam o acesso chinês a tecnologias críticas.

A rodada também tratou da aplicação de um processo acertado em maio para identificar bens não estratégicos que poderiam se qualificar para tarifas menores. A discussão ganha urgência porque a trégua comercial bilateral está prevista para expirar em 10 de novembro. Assim, IA, tarifas, minerais críticos e terras raras compõem uma mesma agenda: os dois governos procuram evitar que disputas em setores estratégicos contaminem por completo o comércio e as cadeias de suprimento.

As conversas serviram de preparação para a cúpula planejada entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Washington, em 24 de setembro. O resultado de Nova York não entrega uma mudança de rumo, mas define um limite mais claro para o que pode avançar agora. Há espaço para testar comunicação e aliviar barreiras sobre produtos não estratégicos; os instrumentos centrais da competição tecnológica permanecem preservados. O teste será saber se a proposta americana sai do plano político e vira um canal operacional, e se a negociação tarifária produz medidas antes do vencimento da trégua.