O Exército dos Estados Unidos efetuou ataques contra alvos iranianos em resposta a um ataque sofrido por um navio cargueiro na região estratégica do Estreito de Hormuz. O incidente ocorreu após o presidente Donald Trump acusar o Irã de violar um cessar-fogo estabelecido entre as partes. O ataque ao navio, ocorrido na quinta-feira, envolveu o uso de um drone suicida e não resultou em vítimas, mas levou à evacuação planejada de milhares de marinheiros que estavam na área.
Em comunicado divulgado na sexta-feira, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que as ações militares atingiram depósitos de mísseis e drones, além de posições de radar costeiro iranianas. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) responsabilizou os Estados Unidos e Israel pelo agravamento da situação.
Pouco antes do anúncio dos ataques, o presidente Trump afirmou que uma resposta americana estava a caminho, sem detalhar as medidas. O Centcom qualificou os ataques como uma resposta contundente ao uso de drones contra o navio comercial, ressaltando que a agressão iraniana violou o cessar-fogo vigente e comprometeu a liberdade de navegação em uma rota vital para o comércio internacional.
O comando militar americano também informou que continuará a coordenar e garantir a passagem segura de embarcações comerciais pelo estreito. No entanto, ainda não está claro se os ataques recentes fazem parte de uma campanha maior ou são ações isoladas.
O IRGC, em nota oficial, acusou os Estados Unidos de violar acordos e justificou o ataque afirmando que o navio teria transitado por uma rota não autorizada no Estreito de Hormuz. O grupo também ameaçou intensificar a resposta caso novas agressões ocorram. Além disso, o IRGC mencionou Israel, referindo-se a ele como "regime sionista", e acusou o país de violar o cessar-fogo no Líbano, onde um acordo de paz foi assinado recentemente em Washington entre Israel e Líbano, apesar de confrontos limitados entre forças israelenses e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Desde o início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã no fim de fevereiro, o Irã praticamente fechou o Estreito de Hormuz, uma via crucial para o transporte global de petróleo e gás natural. O bloqueio elevou os preços internacionais do petróleo e afetou o fornecimento de outros produtos essenciais, como fertilizantes.
Em 17 de junho, Estados Unidos e Irã firmaram um memorando de entendimento com 14 pontos para encerrar as hostilidades, incluindo o compromisso iraniano de garantir a passagem segura e gratuita de navios comerciais pelo estreito por 60 dias. Após os ataques americanos, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o Irã pode esclarecer dúvidas sobre a aplicação do acordo por meio do diálogo, mas ressaltou que a violência será respondida na mesma medida.
Por outro lado, Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, criticou os ataques americanos durante as negociações, classificando-os como uma violação imprudente do cessar-fogo que levará os EUA a recuar e se arrepender.
Durante entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente Trump evitou detalhar a resposta dos EUA ao ataque com drone, limitando-se a afirmar que o Irã não deveria ter realizado o ataque. Questionado sobre as motivações iranianas, ele declarou que o país é "um pouco diferente", sem especificar.
Nos últimos dias, autoridades americanas, incluindo Trump, afirmaram que as negociações com o Irã avançam positivamente, destacando que o Irã desistiu da ideia de impor taxas sobre navios que transitam pelo Estreito de Hormuz. Trump chegou a publicar nas redes sociais que o Irã teria confirmado que não cobraria pedágios, seguros ou quaisquer outras taxas, alertando que, se essa informação fosse falsa, as negociações seriam encerradas imediatamente.
O governo dos EUA condena relatos de cobrança de taxas pelo Irã, considerando que qualquer sistema de pedágio violaria o direito marítimo internacional. Na terça-feira, representantes iranianos e omanenses se reuniram em Mascate para discutir a gestão futura da navegação, com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al-Busaidi, reiterando o compromisso de ambos os países com a passagem segura e sem cobrança de taxas.
Entretanto, o principal negociador iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, afirmou que a administração do Estreito de Hormuz não retornará ao modelo anterior ao conflito.
O navio atingido, Ever Lovely, está registrado em Singapura e foi atacado a cerca de 7,5 milhas náuticas ao sudeste do porto de Dahit, em Omã. A embarcação seguia a rota recomendada pela agência britânica de segurança marítima UKMTO. O proprietário do navio, Evergreen, informou que todos os tripulantes estão seguros, assim como a carga e a embarcação.
Em decorrência do ataque, a Organização Marítima Internacional (IMO) suspendeu a evacuação planejada de mais de 11 mil marinheiros que estavam retidos na rota marítima desde o início do conflito.
A escalada recente entre Estados Unidos e Irã, com ataques e retaliações no Estreito de Hormuz, pode aumentar a instabilidade na região e afetar o comércio global, especialmente no setor energético. A continuidade das negociações e o cumprimento do memorando de entendimento são essenciais para evitar um conflito mais amplo. Caso os ataques e as respostas se intensifiquem, há risco de interrupções prolongadas no tráfego marítimo, o que pode elevar ainda mais os preços do petróleo e impactar economias dependentes da importação de combustíveis e commodities.
Nos próximos dias, a comunidade internacional deve acompanhar atentamente os desdobramentos diplomáticos e militares na região, avaliando a possibilidade de mediação para garantir a estabilidade do Estreito de Hormuz e a segurança das rotas comerciais vitais para o comércio global.