Os Estados Unidos reativaram o bloqueio naval em portos do Irã, menos de um mês após a assinatura de um memorando de entendimento que indicava um avanço rumo à paz. A decisão ocorre em meio a uma escalada de ataques no Golfo Pérsico, envolvendo ações militares e retaliações entre os dois países.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) anunciou que realizou uma nova série de ataques contra alvos militares iranianos próximos ao Estreito de Hormuz e áreas costeiras do Irã. As operações, iniciadas por volta das 02h00 GMT de quarta-feira, duraram cerca de sete horas e envolveram o uso de aeronaves de combate, drones e embarcações navais que lançaram munições de precisão contra instalações de mísseis, drones, capacidades navais e sistemas de defesa costeira.
Mídias iranianas relataram que os ataques atingiram uma torre de observação naval na cidade de Chabahar, uma instalação civil usada para segurança marítima e operações de busca e salvamento de pescadores. Também foi informado que uma base militar em Bampur, na província de Sistan e Baluchestan, foi alvo dos bombardeios.
Autoridades de saúde iranianas indicaram que mais de 260 pessoas ficaram feridas durante os ataques noturnos, e que mais de 30 civis foram mortos. O Irã, por sua vez, declarou que seu controle sobre o Estreito de Hormuz não será comprometido, apesar do bloqueio e das ações militares dos EUA.
Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã lançou ataques com drones e mísseis contra instalações militares norte-americanas em Bahrain, Kuwait e Jordânia durante a noite. O exército do Kuwait informou que respondeu às ofensivas iranianas, que atingiram uma embarcação naval do país e feriram quatro militares. Bahrain ativou seus sistemas de alerta aéreo e pediu calma à população, enquanto as defesas aéreas da Jordânia interceptaram e derrubaram quatro mísseis balísticos iranianos que violaram seu espaço aéreo.
No âmbito diplomático, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que o memorando de entendimento com os EUA não tem mais validade. O IRGC ameaçou interromper todas as exportações de energia do Oriente Médio, afirmando que a venda de petróleo e gás será para todos ou para ninguém.
O Departamento do Tesouro dos EUA congelou mais de 130 milhões de dólares relacionados a carteiras de criptomoedas associadas ao Banco Central do Irã. Em um encontro no Pentágono, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, recebeu o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, para discutir as condições para uma parceria mais profunda, incluindo a exigência de que o Iraque desarme milícias alinhadas ao Irã, consideradas responsáveis por ataques frequentes contra forças americanas.
O representante permanente do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, enviou uma carta ao secretário-geral António Guterres, classificando os EUA como agressor e acusando Washington de não cumprir os compromissos assumidos no memorando, além de minar sua implementação de forma ativa.
A retomada do bloqueio naval pelos EUA e a intensificação dos ataques no Golfo indicam uma deterioração nas relações entre Washington e Teerã, com impactos diretos na segurança regional e no comércio marítimo global, especialmente no transporte de petróleo pelo Estreito de Hormuz. A escalada militar pode provocar uma resposta ainda mais vigorosa do Irã, aumentando o risco de confrontos diretos e afetando a estabilidade dos países do Golfo.
Nos próximos meses, a situação dependerá da capacidade dos atores envolvidos de negociar e evitar uma expansão do conflito. A pressão internacional e a vigilância sobre as rotas marítimas serão fundamentais para mitigar os efeitos econômicos e estratégicos dessa crise, que pode influenciar os preços globais de energia e a segurança geopolítica da região.