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domingo, 04 de janeiro de 2026
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EUA retomam bloqueio naval em portos iranianos e anunciam taxa de 20% no Estreito de Hormuz

Os EUA retomaram o bloqueio naval aos portos iranianos e anunciaram uma taxa de 20% sobre cargas no Estreito de Hormuz, intensificando a tensão na região e afetando o comércio global de energia.

EUA retomam bloqueio naval em portos iranianos e anunciam taxa de 20% no Estreito de Hormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retomada do bloqueio naval aos portos do Irã, além da imposição de uma taxa de 20% sobre toda a carga que transitar pelo Estreito de Hormuz. A medida foi divulgada após uma escalada de ataques entre os dois países, que vêm trocando ações militares na região. Trump afirmou que a iniciativa visa impedir que navios iranianos ou seus clientes entrem ou saiam da rota estratégica de transporte de petróleo, mas garantiu que outros países terão acesso livre e justo ao estreito.

O bloqueio começou a valer a partir das 16h (horário do leste dos EUA) da terça-feira, 14 de julho. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã declarou que o país continuará sendo o "guardião" do Estreito de Hormuz, retomando a expressão usada por Trump em sua declaração. Enquanto isso, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que iniciou a terceira noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos, seguindo ordens do comandante em chefe.

Os ataques foram lançados às 16h45 do horário do leste dos EUA na segunda-feira, com o objetivo de impor um custo elevado às forças iranianas e reduzir sua capacidade de atacar civis e embarcações comerciais na região. O Exército iraniano, por sua vez, afirmou ter atingido ativos militares dos EUA no Kuwait, conforme divulgado pela mídia estatal do país.

A tensão aumentou após confrontos entre Washington e Teerã pelo controle do estreito, que ocorreram no domingo à noite. Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump ressaltou que o Estreito de Hormuz permanecerá aberto, com ou sem a presença do Irã, e que os EUA serão conhecidos como "O Guardião do Estreito de Hormuz". Ele também destacou que os Estados Unidos cobrarão uma taxa de 20% sobre toda a carga que passar pelo local, para cobrir os custos de segurança e proteção da área considerada volátil.

Trump afirmou que o processo para implementar essa cobrança começaria imediatamente. Em entrevista à Fox News, o presidente afirmou que os EUA "provavelmente administrarão" o Estreito de Hormuz, acusando o Irã de ter violado um acordo anterior com os Estados Unidos. O Comando Central confirmou que as forças americanas retomariam o bloqueio do tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos a partir de 14 de julho, mas que o fluxo de embarcações que não violarem o bloqueio seria mantido.

Na semana anterior, Trump havia informado o Congresso sobre a retomada das ações militares contra o Irã, iniciadas em 7 de julho. A legislação federal exige aprovação do Congresso para a continuidade de operações militares por mais de 60 dias, com possibilidade de extensão por mais 30 dias em nome da segurança nacional.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu à declaração de Trump afirmando que o presidente americano está correto ao afirmar que quem garante a passagem segura das embarcações comerciais pelo Estreito de Hormuz deve ser compensado por isso. No entanto, Araghchi ressaltou que o Irã sempre foi e continuará sendo o guardião do estreito, considerando a taxa de 20% excessiva e prometendo uma cobrança mais justa.

Um porta-voz da Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU responsável pela regulação do transporte marítimo global, declarou que a organização é contrária à cobrança de taxas pelo trânsito em estreitos usados para navegação internacional, ressaltando que não há base legal para a imposição de pedágios obrigatórios nesses locais.

Antes do anúncio de Trump, o comando militar do Irã afirmou que não permitiria interferência dos EUA na administração do Estreito de Hormuz. O porta-voz das Forças Armadas iranianas, Ebrahim Zolfaghari, alertou que as ações americanas na região colocam em risco a segurança regional, o comércio internacional e a passagem de navios petroleiros e comerciais. Ele classificou qualquer cooperação com os EUA como um ato de guerra contra a soberania iraniana e advertiu que um possível alastramento do conflito poderia envolver todos os países da região.

A aplicação prática do anúncio de Trump ainda gera dúvidas. As regras da Organização das Nações Unidas permitem que países controlem suas águas territoriais até 12 milhas náuticas da costa. O Estreito de Hormuz, em seu ponto mais estreito, está totalmente dentro das águas territoriais do Irã e de Omã.

Desde fevereiro, o Irã bloqueia efetivamente o estreito, por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial e 20% do gás natural liquefeito global. O bloqueio ocorreu após ataques dos EUA e Israel contra o Irã, que respondeu com disparos de mísseis e drones contra bases militares americanas e israelenses em países do Golfo. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) iraniano também atacou navios comerciais que tentaram transitar pelo estreito sem autorização e apreendeu duas embarcações.

O tráfego marítimo na região caiu drasticamente, provocando alta nos preços do petróleo. Os EUA impuseram um bloqueio naval em abril para pressionar o Irã, redirecionando cerca de 100 embarcações comerciais e incapacitando quatro delas. Em junho, o bloqueio foi suspenso como parte de um memorando de entendimento entre os dois países, mas as disputas sobre o estreito voltaram a aumentar.

A cobrança de 20% sobre o transporte de cargas pode gerar resistência entre aliados dos EUA, que podem se recusar a pagar a taxa. Internamente, a medida pode complicar a situação política de Trump, já que alguns membros do Congresso, inclusive republicanos, questionam os benefícios do cessar-fogo e das negociações com o Irã. Além disso, o aumento dos preços do petróleo pode afetar a opinião pública americana, especialmente com eleições legislativas se aproximando.

A iniciativa pode ainda ser interpretada como uma tentativa de retomar negociações e envolver outros países na questão, estratégia já utilizada por Trump em outras ocasiões. O controle do Estreito de Hormuz é um ponto estratégico crucial para o comércio global de energia, e a escalada de tensões entre EUA e Irã pode impactar diretamente os mercados internacionais e a estabilidade regional.

Em termos estratégicos, a imposição da taxa e o bloqueio naval representam uma pressão econômica e militar significativa sobre o Irã, visando limitar sua capacidade de influenciar o tráfego marítimo e sua economia baseada em exportações de petróleo. No entanto, a resistência iraniana e a falta de consenso internacional podem dificultar a implementação efetiva dessas medidas.

A continuidade das operações militares e o aumento das tensões indicam que o conflito na região pode se prolongar, exigindo monitoramento constante das movimentações políticas e militares. A resposta dos aliados dos EUA e das organizações internacionais será crucial para definir os próximos passos e o impacto no comércio global de energia.