O ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, demitido recentemente, afirmou que o presidente Volodymyr Zelensky tem "perguntas a responder" sobre casos de corrupção dentro do governo. Fedorov, que ganhou destaque por modernizar as forças armadas ucranianas e implementar estratégias inovadoras com drones, foi afastado do cargo após um desentendimento com o chefe das Forças Armadas do país.
Em entrevista, Fedorov destacou que a investigação de lavagem de dinheiro anunciada na semana anterior levanta dúvidas sobre o conhecimento do presidente acerca de possíveis irregularidades em seu círculo próximo. Ele ressaltou ainda que a democracia não deve ser refém da guerra contra a Rússia, embora tenha evitado declarar suas intenções políticas futuras, mesmo após ter divulgado um vídeo pedindo eleições no país.
Desde sua demissão, apoiadores de Fedorov têm realizado manifestações semanais em Kiev, exigindo sua reinstalação. O ex-ministro, de 35 anos, afirmou não sentir falta do cargo devido ao estresse intenso de administrar o conflito com a Rússia enquanto promovia reformas no Ministério da Defesa.
As manifestações cessaram após a nomeação do sucessor de Fedorov, que ocorreu pouco depois da publicação do vídeo em que ele defende a realização de eleições, mesmo sob o estado de lei marcial vigente desde a invasão russa em 2022, que suspendeu os pleitos eleitorais.
Fedorov defende que discutir eleições é um direito moral e fundamental para a democracia. Ele argumenta que a ausência de eleições comprometeria o regime democrático ucraniano. Em sua declaração, afirmou que a população não pode viver indefinidamente sem compreender as razões por trás das decisões governamentais.
Apesar de não criticar diretamente Zelensky, o ex-ministro não confirmou se apoia a reeleição do atual presidente. Zelensky, por sua vez, declarou recentemente que realizar eleições durante o conflito seria arriscado e poderia dividir ainda mais o país.
Especialistas apontam desafios práticos para a realização do pleito, como a participação de soldados, refugiados e residentes de territórios ocupados, além do risco de desinformação promovida pela Rússia.
A investigação de lavagem de dinheiro mencionada envolve parlamentares e banqueiros, com suspeitas de desvio de mais de US$ 3 milhões para pagar fiança de um ex-ministro da Energia acusado de corrupção. Um alto funcionário do gabinete presidencial, supostamente envolvido, foi demitido.
Fedorov afirmou que o caso levanta questões sobre o nível de conhecimento de Zelensky sobre corrupção em seu entorno, mas não apresentou evidências de envolvimento pessoal do presidente. Ele destacou que, durante seu trabalho conjunto, nunca recebeu ordens que violassem a lei ou sua integridade.
Como ministro da Defesa e anteriormente como ministro da Transformação Digital, Fedorov foi responsável por iniciativas que transformaram o combate ucraniano, promovendo o uso de drones para reduzir baixas e ampliar a capacidade de ataques a alvos russos a longa distância.
Ele anunciou que continuará a apoiar inovações militares e planeja visitar os Estados Unidos para discutir com empresários como Elon Musk o uso da tecnologia Starlink, que tem sido crucial para as comunicações ucranianas. Fedorov pretende negociar a expansão do sistema para o espaço aéreo russo, visando auxiliar ataques sem beneficiar o Kremlin.
O ex-ministro também criticou a burocracia em países aliados, como o Reino Unido, por atrasos na entrega de armamentos. Embora reconheça o apoio britânico, ele pediu financiamento direto para a produção de drones ucranianos modernos, em vez de equipamentos ultrapassados.
Fedorov ressaltou que a agilidade no fornecimento de equipamentos não só salvaria vidas ucranianas, mas também proporcionaria experiência militar valiosa para os países que apoiam a Ucrânia.
Sobre seu futuro político, ele não descartou a possibilidade de concorrer à presidência, condicionando essa decisão à retomada das eleições democráticas, à manutenção de sua equipe e à confiança popular.
A situação política na Ucrânia permanece delicada, com o governo enfrentando pressões internas relacionadas à corrupção e ao manejo do conflito com a Rússia. A discussão sobre eleições em meio à guerra evidencia o desafio de equilibrar segurança nacional e processos democráticos.
A continuidade das investigações anticorrupção pode influenciar a estabilidade política e a confiança da população no governo. Além disso, a modernização das forças armadas e o apoio internacional, especialmente na área tecnológica, são fatores decisivos para a resistência ucraniana.
No cenário futuro, será fundamental observar como o governo de Zelensky responderá às críticas internas e se avançará na realização de eleições, mesmo diante dos riscos apontados. A capacidade de manter o apoio internacional e implementar reformas eficazes poderá determinar o rumo da Ucrânia tanto no campo político quanto no militar.