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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Ex-presidente interino de Israel afirma que Netanyahu não obteve ganhos com guerra contra o Irã

Ex-presidente interino de Israel, Avraham Burg, afirma que Benjamin Netanyahu não obteve ganhos políticos com a guerra contra o Irã e que o cessar-fogo anunciado favoreceu Teerã. Divergências entre EUA e Israel marcaram o conflito, com impactos nas eleições israelenses previstas para outubro.

Ex-presidente interino de Israel afirma que Netanyahu não obteve ganhos com guerra contra o Irã

O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguido do recente anúncio de um cessar-fogo, evidenciou divergências políticas significativas entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Essa análise foi apresentada pelo ex-presidente interino de Israel, Avraham Burg, em entrevista exclusiva.

Burg destacou que Trump tinha interesse em encerrar o conflito rapidamente para evitar impactos negativos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Ele classificou a operação como algo que deveria ter sido breve e controlado. Por outro lado, Netanyahu teria buscado prolongar o conflito para entrar nas eleições legislativas de Israel em um contexto de estado de guerra, cenário que tradicionalmente fortalece o apoio popular ao governo.

O ex-presidente interino ressaltou que a estratégia de Netanyahu não trouxe os resultados esperados. Segundo Burg, o primeiro-ministro não obteve ganhos políticos e pode ter até sofrido perdas significativas em sua imagem. Ele prevê que as próximas eleições, marcadas para o final de outubro, revelarão o desgaste do líder israelense perante a população, que estaria cansada de suas manobras políticas e da sua permanência prolongada no poder.

Além disso, Burg contestou a narrativa de que o conflito com o Irã representava uma ameaça existencial para Israel. Ele afirmou que, embora o Irã seja um problema real, a situação poderia ter sido resolvida por meio da diplomacia, acordos e equilíbrio de forças, sem a necessidade de um confronto armado. O ex-presidente também descartou a possibilidade de Netanyahu recorrer a armas nucleares para se manter no cargo, considerando tal hipótese impensável.

Sobre o cessar-fogo, Burg interpretou a decisão unilateral de Trump como um afastamento dos interesses de Israel, descrevendo-a como um 'divórcio' entre os dois países. Ele concluiu que o único beneficiado claro do conflito foi o Irã, que, apesar dos ataques severos, conseguiu sobreviver e, portanto, saiu vitorioso.

A análise de Burg aponta para um cenário complexo em que interesses políticos internos e externos se chocam, afetando a condução da política de segurança e diplomacia de Israel. A divergência entre Washington e Jerusalém pode influenciar futuras decisões estratégicas, especialmente considerando as próximas eleições israelenses. A percepção pública sobre o manejo do conflito poderá impactar o equilíbrio político interno, possivelmente acelerando mudanças no governo.

Do ponto de vista geopolítico, a sobrevivência do Irã diante da ofensiva conjunta pode alterar o equilíbrio regional, incentivando Teerã a manter sua postura assertiva. A continuidade do impasse entre Israel e Irã, sem resolução diplomática efetiva, mantém a instabilidade no Oriente Médio, com potenciais repercussões globais. O papel dos Estados Unidos, dividido entre interesses eleitorais e alianças tradicionais, será crucial para definir os próximos passos na região.