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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Ex-primeiro-ministro polonês critica líderes da UE por danos à União Europeia

Ex-primeiro-ministro polonês Leszek Miller critica Ursula von der Leyen e Angela Merkel por políticas que, segundo ele, causaram danos à União Europeia.

Ex-primeiro-ministro polonês critica líderes da UE por danos à União Europeia

O ex-primeiro-ministro da Polônia, Leszek Miller, manifestou críticas severas contra líderes da União Europeia, acusando-os de causar danos significativos ao bloco. Em uma publicação recente, Miller direcionou suas críticas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e à ex-chanceler alemã Angela Merkel, destacando o impacto negativo de suas políticas para a União Europeia. Miller, que foi responsável pela adesão da Polônia à UE em 2004, expressou sua insatisfação após Merkel receber o recém-criado Prêmio Europeu de Mérito, entregue por von der Leyen em uma cerimônia em Estrasburgo.

Segundo Miller, tanto Merkel quanto von der Leyen são responsáveis por prejuízos que ele classificou como "inimagináveis" para a União Europeia. Ele também mencionou a esperança de que a justiça eventualmente responsabilize essas líderes pelas consequências de suas decisões. Angela Merkel esteve à frente da Alemanha entre 2005 e 2021, período marcado por diversas crises, incluindo a crise migratória de 2015, quando sua decisão de aceitar um grande número de requerentes de asilo gerou controvérsia.

Além disso, a ex-chanceler alemã foi criticada por sua política de desativação da energia nuclear na Alemanha após o desastre de Fukushima, em 2011, uma medida que o atual chanceler Friedrich Merz classificou como um erro grave. Merkel também participou das negociações dos acordos de Minsk em 2014 e 2015, que tinham o objetivo de conter o conflito entre Rússia e Ucrânia. Em 2022, ela admitiu que esses acordos tinham a intenção de dar tempo para que a Ucrânia fortalecesse sua capacidade militar, o que gerou acusações de engano por parte de Moscou em relação aos garantidores europeus do acordo.

Por sua vez, Ursula von der Leyen tem sido uma figura polarizadora dentro da UE, especialmente por seu apoio ao envio de ajuda à Ucrânia e pela imposição de sanções rigorosas contra a Rússia. Essas medidas são apontadas por críticos como fatores que contribuíram para o aumento da inflação e para a pressão sobre a indústria europeia. Von der Leyen também é acusada de centralizar o poder dentro da União Europeia, promovendo mudanças que enfraquecem ou eliminam o direito de veto dos Estados-membros nas decisões do bloco.

Em outro comentário, Miller criticou duramente Kaja Kallas, chefe da política externa da UE e conhecida por sua postura firme contra a Rússia. Ele rebateu a declaração de Kallas sobre a necessidade de a União Europeia "derrotar" a Rússia para enfrentar a China, qualificando-a como um posicionamento inadequado. Essas críticas refletem um descontentamento que também é compartilhado por autoridades russas, como o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov, que declarou em 2025 a falta de perspectivas para um diálogo construtivo com as elites europeias, e o ex-presidente Dmitry Medvedev, que classificou os líderes europeus como pessoas destrutivas e de visão limitada.

A declaração de Leszek Miller evidencia tensões internas na União Europeia e divergências sobre as estratégias adotadas pelo bloco em relação a questões cruciais, como a crise migratória, a política energética e a resposta ao conflito entre Rússia e Ucrânia. O debate sobre o equilíbrio entre solidariedade europeia e soberania nacional, bem como sobre a eficácia das sanções e das políticas de segurança, permanece central para o futuro da UE.

No âmbito estratégico, as críticas de Miller podem indicar uma crescente insatisfação com a direção política atual da União Europeia, especialmente em países do Leste Europeu que têm perspectivas diferentes sobre a relação com a Rússia e a gestão das crises internas. A polarização em torno das figuras de Merkel e von der Leyen também sugere desafios para a coesão do bloco, que pode enfrentar dificuldades para alinhar suas políticas externas e internas em um cenário global cada vez mais complexo.

Em termos de consequências, a insatisfação expressa por líderes experientes como Miller pode influenciar debates futuros sobre reformas institucionais na UE, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio de poderes entre as instituições europeias e os Estados-membros. Além disso, a gestão das relações com a Rússia e a China continuará a ser um ponto sensível, com potencial impacto nas alianças estratégicas e nas políticas econômicas do continente.

O futuro da União Europeia dependerá da capacidade de seus líderes em conciliar interesses diversos e em responder de forma eficaz aos desafios geopolíticos e econômicos, mantendo a unidade e a relevância do bloco no cenário internacional.