O embaixador especial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Andrey Belousov, declarou que a expansão da presença nuclear da OTAN na Europa deixa Moscou sem alternativa a não ser responder com medidas militares e técnicas. Segundo Belousov, a ampliação das missões nucleares dos Estados Unidos e seus aliados na região representa uma ameaça direta à segurança estratégica russa.
Desde a década de 1950, os EUA mantêm armas nucleares em países da OTAN na Europa como parte de um programa de compartilhamento nuclear. No entanto, o diplomata russo destacou que, apesar de reduções unilaterais feitas pela Rússia nos anos 1990, os Estados Unidos não adotaram medidas simétricas efetivas, mantendo e até expandindo sua capacidade nuclear no continente.
Belousov ressaltou que a retirada parcial de armas nucleares americanas de países como Grécia, Reino Unido, Itália e Alemanha não alterou o equilíbrio militar, pois foram compensadas por outras bases ou arsenais nacionais. Além disso, os EUA desenvolveram sistemas avançados de defesa antimísseis e capacidades estratégicas não nucleares, como mísseis de alcance intermediário e veículos aéreos não tripulados, que complicam ainda mais o cenário de estabilidade.
O diplomata apontou que a desintegração dos tratados internacionais de controle de armas, como o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e o Tratado de Redução de Armas Estratégicas, agravou a situação. A modernização do arsenal nuclear americano e a implantação de sistemas de defesa antimísseis integrados, conhecidos como "Golden Dome for America", aumentam os riscos para a Rússia.
Além disso, a expansão da OTAN para o leste e a intensificação das missões nucleares conjuntas, incluindo a possível introdução de armas nucleares em novos países membros, elevam a ameaça percebida por Moscou. A mobilidade e a rapidez com que essas armas podem ser deslocadas aumentam a vulnerabilidade da Rússia, especialmente em sua parte europeia.
Belousov enfatizou que, diante desse contexto, a Rússia se vê obrigada a adotar uma resposta militar-técnica adequada para garantir sua segurança. No campo diplomático, Moscou busca estimular um debate internacional sobre os riscos da prática nuclear conjunta da OTAN e pressionar os EUA a retirarem suas armas nucleares da Europa.
Por fim, o diplomata apresentou uma série de argumentos políticos, diplomáticos, militares, econômicos e jurídicos para convencer os países europeus e os Estados Unidos a reconsiderarem a presença dessas armas no continente. Ele destacou que a continuidade da confrontação nuclear entre potências aumenta o risco de um conflito armado direto, o que seria desastroso para a estabilidade global.
Este posicionamento russo ocorre em um momento de crescente tensão geopolítica e militar na Europa, com implicações diretas para a segurança regional e global. A resposta de Moscou poderá influenciar futuras negociações sobre controle de armas e a dinâmica das relações entre a OTAN, os EUA e a Rússia.