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domingo, 04 de janeiro de 2026
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FIFA cancela plano de investimento na Copa do Mundo após forte rejeição global

FIFA cancelou plano de venda de participação em lucros da Copa do Mundo após forte rejeição de federações e UEFA, gerando crise na liderança de Infantino.

FIFA cancela plano de investimento na Copa do Mundo após forte rejeição global

Gianni Infantino, presidente da FIFA, enfrentou uma crise significativa ao abandonar seu plano de investimento para a Copa do Mundo, após uma reação negativa generalizada no futebol mundial. O projeto previa a venda de uma participação acionária em futuros lucros dos torneios organizados pela entidade, incluindo a Copa do Mundo, para investidores privados, liderados por Joshua Kushner. Essa iniciativa provocou uma divisão profunda entre as federações nacionais, órgãos continentais e outras partes interessadas.

A proposta de Infantino consistia na criação de uma subsidiária chamada FIFA Forward Enterprise (FFE), que administraria as operações comerciais da FIFA, como venda de direitos de transmissão, patrocínios, ingressos e hospitalidade. A expectativa era captar cerca de 4,2 bilhões de dólares, vendendo aproximadamente 20% das ações da FFE, que teria uma avaliação total estimada em 20 bilhões de dólares. O principal investidor âncora seria a Thrive Eternal, empresa fundada por Joshua Kushner, irmão do ex-conselheiro presidencial Jared Kushner.

O plano incluía oferecer a cada uma das 211 federações nacionais membros da FIFA uma participação equivalente a 20 milhões de dólares, com a promessa de que os pagamentos anuais para essas entidades aumentariam progressivamente até 2038. Para muitas federações menores, especialmente em países com menos recursos, a proposta representava uma soma significativa. No entanto, para as grandes potências do futebol, como Inglaterra, Espanha e França, o foco estava em outras prioridades.

A reação contra o plano foi ampla e intensa. A UEFA, órgão que governa o futebol europeu, liderou a oposição, ameaçando boicotar todas as competições da FIFA caso o projeto fosse mantido. A preocupação principal era que a entrada de investidores privados poderia levar a uma pressão por mais jogos e competições maiores, desequilibrando o calendário já apertado e afetando a integridade dos torneios, além de prejudicar a receita e o prestígio de competições tradicionais como a UEFA Champions League.

Além da UEFA, outras entidades importantes, incluindo federações da Ásia, América do Norte, a CONMEBOL da América do Sul, e até mesmo o primeiro-ministro britânico, manifestaram oposição. Internamente, membros da diretoria da FIFA também expressaram descontentamento, com o principal assessor de Infantino, Carlos Cordeiro, renunciando em protesto e qualificando o acordo como prejudicial. O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, defendeu seus colegas, mas sua declaração pública sugeriu um ambiente interno turbulento.

Infantino, que até então parecia consolidado em seu cargo e prestes a ser reeleito em março de 2027, viu seu apoio diminuir consideravelmente. Apesar de ter recebido cartas de apoio de cerca de 200 das 211 federações, a crise gerada pelo plano de investimento colocou sua liderança em xeque. A decisão de abandonar o projeto foi anunciada oficialmente, reconhecendo que a proposta gerou divisões incompatíveis com os objetivos da FIFA.

A neutralidade da África, com suas 54 federações, e a posição cautelosa da CONMEBOL, que avaliaria o plano com rigor, indicam que o cenário político dentro da FIFA permanece complexo. A possibilidade de um candidato desafiar Infantino na próxima eleição presidencial, marcada para março de 2027 em Rabat, Marrocos, começa a ganhar força, com nomes como Nasser Al-Khelaifi e Victor Montagliani sendo mencionados como possíveis concorrentes.

A tentativa de Infantino de transformar a FIFA com uma estrutura semelhante a uma empresa de capital aberto, garantindo uma receita maior e um papel prolongado na entidade, acabou por gerar uma crise institucional. O episódio expõe a tensão entre a busca por maior capitalização financeira e a preservação da tradição e controle das federações nacionais sobre o futebol global.

Do ponto de vista estratégico, a retirada do plano de investimento pode preservar a estabilidade do calendário e das competições, evitando conflitos entre clubes e seleções, além de manter o equilíbrio de poder entre as confederações. No entanto, a crise expõe fragilidades na governança da FIFA e pode desencadear uma disputa eleitoral mais acirrada, com possíveis mudanças na liderança e na direção estratégica da entidade.

Nos próximos meses, será crucial observar como Infantino reconquistará a confiança das federações e se conseguirá apresentar propostas que conciliem inovação financeira com a preservação dos interesses dos diversos atores do futebol mundial. A postura da UEFA e das outras grandes confederações será determinante para o futuro da governança do futebol internacional.