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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Franceses condenados por abuso em transmissão ao vivo que resultou em morte

Dois franceses foram condenados por violência e incitação ao ódio em transmissões ao vivo que resultaram na morte de Raphael Graven, com penas suspensas e multas aplicadas.

Franceses condenados por abuso em transmissão ao vivo que resultou em morte

Dois homens franceses foram condenados a penas de prisão suspensa após serem considerados culpados de violência e incitação ao ódio contra um indivíduo durante transmissões ao vivo na internet. O caso ocorreu em Nice, onde Safine Hamadi e Owen Cenazandotti foram julgados por agressões repetidas e humilhações infligidas a Raphael Graven, conhecido online como Jean Pormanove.

Raphael Graven, de 46 anos, faleceu em 18 de agosto de 2025, enquanto os acusados estavam dormindo durante uma transmissão ao vivo. As autoridades indicaram que a causa provável da morte estava relacionada a problemas de saúde preexistentes, especialmente uma condição cardíaca frágil, e não diretamente às agressões sofridas.

As agressões foram transmitidas na plataforma Kick ao longo de vários dias, com os réus alegando que os atos de violência e humilhação eram em parte encenados e realizados com o consentimento da vítima. Durante o julgamento, Hamadi demonstrou arrependimento, recebendo uma pena de 18 meses de prisão suspensa e multa de 5.000 euros. Cenazandotti foi condenado a dois anos de prisão suspensa e multa de 15.000 euros. Ambos foram proibidos de publicar conteúdos nas redes sociais por seis meses.

O tribunal absolveu os acusados das acusações de homicídio culposo e de exploração da fragilidade psicológica da vítima. O advogado de Hamadi afirmou que Graven havia consentido com as ações durante depoimentos anteriores à polícia.

O caso gerou indignação pública na França após a circulação de vídeos mostrando Graven sendo submetido a agressões físicas, humilhações e desafios degradantes durante meses. O público podia pagar para incentivar algumas das ações, o que transformava o abuso em uma atividade lucrativa para os envolvidos.

A situação se agravou quando se descobriu que o canal já havia sido denunciado diversas vezes às autoridades e que a plataforma Kick promovia ativamente parte do conteúdo. A ministra francesa para Assuntos Digitais, Clara Chappaz, classificou o tratamento dado a Graven como um "horror absoluto".

A plataforma australiana enfrentou críticas adicionais após restaurar temporariamente o acesso público ao canal depois da morte de Graven. Reguladores franceses destacaram que a Kick empregava apenas 75 moderadores, nenhum deles fluente em francês, o que levantou dúvidas sobre a capacidade da plataforma de controlar conteúdos violentos.

O órgão regulador audiovisual francês Arcom e o Ministério Público de Paris abriram investigações contra a plataforma. Mandados de prisão foram emitidos para alguns membros da gestão da empresa.

Procuradores informaram que Graven teria recebido cerca de 265.000 euros com suas transmissões entre 2021 e 2025.

Este caso evidencia desafios crescentes no controle de conteúdos abusivos em plataformas digitais, especialmente diante da dificuldade de monitoramento efetivo em ambientes multilíngues e globais. A decisão judicial, embora simbólica para alguns, ressalta a necessidade de maior responsabilidade das plataformas e de medidas legais mais rigorosas para prevenir abusos que podem ter consequências graves.

No futuro, é provável que haja pressões para aprimorar a regulação de plataformas de streaming e redes sociais, com foco em mecanismos de moderação mais eficientes e na proteção de usuários vulneráveis. Além disso, o episódio pode servir como precedente para outras jurisdições enfrentarem casos similares envolvendo abuso em transmissões ao vivo e exploração de indivíduos fragilizados.