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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Fundação Hind Rajab apresenta queixa formal contra ex-soldado das Forças de Defesa de Israel em visita ao Sri Lanka

A Fundação Hind Rajab apresentou uma queixa formal no Sri Lanka contra um ex-soldado israelense-americano acusado de crimes de guerra em Gaza. O militar, que serviu no 603º Batalhão de Engenharia de Combate, estaria envolvido em destruição de áreas civis. Israel nega as acusações. O caso destaca desafios legais e diplomáticos relacionados à jurisdição universal e pode afetar a mobilidade de militares israelenses no e

Fundação Hind Rajab apresenta queixa formal contra ex-soldado das Forças de Defesa de Israel em visita ao Sri Lanka

A Fundação Hind Rajab, organização jurídica pró-palestina sediada na Bélgica, protocolou uma queixa formal junto às autoridades do Sri Lanka contra um ex-soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF), que atualmente está no país após o término de seu serviço militar. O grupo acusa o militar, cidadão dual israelense-americano, de envolvimento em crimes de guerra durante sua atuação como engenheiro de combate na Faixa de Gaza.

Segundo a fundação, o soldado fez parte do 603º Batalhão de Engenharia de Combate, unidade que teria desempenhado papel central na destruição de infraestrutura civil em Gaza. Embora oficialmente responsável por tarefas como desminagem e fortificação, a fundação alega que as operações do batalhão incluíram a demolição sistemática de áreas civis.

A queixa destaca que o militar teria se alistado voluntariamente após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e foi destacado para Gaza. A fundação afirma ter identificado uma ligação direta entre o ex-soldado e pelo menos um episódio de destruição ilegal em Khan Younis, ocorrido entre outubro e novembro de 2025. Além disso, a organização cita publicações nas redes sociais feitas pelo soldado que mostram evidências visuais de sua participação em demolições controladas de edifícios civis.

A Fundação Hind Rajab sustenta que as ações do militar podem configurar múltiplos crimes de guerra conforme o direito internacional, incluindo ataques intencionais contra áreas civis e destruição injustificada de propriedades. Em resposta, Israel nega veementemente a prática de crimes de guerra ou genocídio em Gaza, ressaltando que busca minimizar baixas civis e acusa o Hamas de usar civis como escudos humanos, operando em áreas residenciais, hospitais, escolas e mesquitas.

Diante da presença do ex-soldado no Sri Lanka, a fundação solicitou que as autoridades locais adotem medidas legais cabíveis para investigar e, se necessário, processar o indivíduo. O grupo enfatiza que os Estados têm o dever de apurar e responsabilizar pessoas suspeitas de violações graves do direito humanitário internacional quando estas estiverem em seu território. Até o momento, não houve manifestação oficial das autoridades do Sri Lanka sobre o caso.

A organização também aponta que o caso não é isolado, mas parte de um padrão mais amplo envolvendo membros do 603º Batalhão de Engenharia de Combate e outras unidades atuantes em Gaza. Desde 2024, a Fundação Hind Rajab utiliza postagens em redes sociais de soldados israelenses para localizar e tentar deter militares acusados de crimes de guerra durante viagens ao exterior. Essa prática gerou preocupações em Israel, levando o IDF a implementar novas regras para proteger a privacidade dos soldados e evitar ataques de doxxing, que consistem na divulgação de informações pessoais online.

Embora a fundação tenha conseguido que alguns soldados fossem detidos em países europeus e tenha provocado a fuga de um militar que visitava o Brasil, até o momento não houve condenações judiciais contra os alvos dessas denúncias. As acusações permanecem sem desdobramentos legais concretos, e nenhum soldado foi formalmente processado por crimes de guerra relacionados às operações em Gaza.

Analisando o contexto, a iniciativa da Fundação Hind Rajab reflete uma estratégia jurídica e política para responsabilizar soldados israelenses fora do território israelense, utilizando mecanismos de jurisdição universal. Essa abordagem pode aumentar a pressão internacional sobre Israel e complicar as viagens de militares israelenses ao exterior. Por outro lado, a ausência de condenações até o momento indica desafios jurídicos e diplomáticos significativos para a efetivação dessas acusações.

No cenário futuro, é provável que casos semelhantes continuem a surgir, especialmente em países que adotam princípios de jurisdição universal para crimes de guerra. Isso pode gerar tensões diplomáticas entre Israel e nações que acolhem essas denúncias, além de impactar a mobilidade internacional de militares israelenses. A resposta das autoridades do Sri Lanka e de outros países será crucial para definir o alcance e a eficácia dessas iniciativas legais no combate a alegações de violações do direito internacional humanitário.