Na quarta-feira, Donald Trump disse que considerava proibir as exportações americanas de diesel. Na quinta, seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, pediu aos europeus que disponibilizassem mais combustível. Um dia depois, o G7 anunciou uma liberação coordenada de estoques e defendeu que seus membros evitem restringir exportações de energia entre si.
As duas ideias partem da mesma urgência, mas puxam o combustível em direções opostas. Liberar reservas aumenta temporariamente a oferta disponível. Proibir exportações pode manter diesel dentro dos Estados Unidos, reduzindo o que outros países conseguem comprar.
A pressão sobre os preços ajuda a explicar a pressa americana. Em 1º de outubro, o diesel custava em média US$ 6,38 por galão nos EUA, segundo dados da AAA citados pela NBC News: uma alta de 70% desde o início da guerra com o Irã. Bessent mencionou agricultores, caminhoneiros e empresas ao cobrar suprimentos adicionais dos parceiros europeus.
O abastecimento já sofria outra interrupção. Segundo a reportagem, ataques ucranianos a refinarias russas foram seguidos por uma proibição de exportar diesel anunciada pela Rússia em julho e prorrogada até o fim de outubro. Para compradores que dependiam desse combustível, uma reserva de emergência pode cobrir parte da falta enquanto o fluxo habitual permanece interrompido. Ela não substitui indefinidamente uma fonte de fornecimento.
Até a noite de quinta-feira, a Comissão Europeia falava em contatos com os governos do bloco e com Washington, sem anunciar uma liberação. A resposta pública veio na sexta-feira, em outro formato: os líderes do G7 anunciaram, por meio da Agência Internacional de Energia, a liberação coordenada de **100 milhões de barris de petróleo ao longo de quatro meses**. Uma parcela substancial de diesel deve ser antecipada para os primeiros 20 dias.
Os 100 milhões de barris são o total anunciado para petróleo; não representam 100 milhões de barris de diesel. A declaração também não discrimina quanto combustível desse tipo caberá a cada país. Por isso, o anúncio marca uma decisão conjunta, mas seu efeito sobre o preço do diesel dependerá dos volumes que efetivamente chegarem ao mercado.
Há ainda uma condição política. O mesmo comunicado afirma que os integrantes do G7 evitarão restrições às exportações de energia entre si. Se uma eventual proibição americana de diesel incluísse os parceiros do grupo, entraria em conflito com esse compromisso. Trump havia dito que estudava a medida; o anúncio do G7 não estabelece que ele tenha desistido dela.
A disputa sobre o diesel mostra por que responder a uma escassez entre aliados é difícil. Cada governo quer proteger seus consumidores, mas o combustível retido em um país deixa de aliviar a falta em outro. O G7 prometeu abrir estoques; para que essa resposta funcione como esforço conjunto, seus membros também precisam manter aberto o caminho por onde o diesel circula.