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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Governador de Sinaloa retorna ao cargo apesar de acusações criminais dos EUA

Governador de Sinaloa retoma o cargo após acusações dos EUA por ligação com cartel; investigações mexicanas seguem abertas sem provas conclusivas.

Governador de Sinaloa retorna ao cargo apesar de acusações criminais dos EUA

Ruben Rocha Moya reassumiu o cargo de governador do estado mexicano de Sinaloa após enfrentar acusações de envolvimento com o tráfico de drogas feitas pelo governo dos Estados Unidos. Ele havia se afastado do cargo em 1º de maio para lidar com as investigações e agora anunciou seu retorno às funções por meio das redes sociais. Rocha negou veementemente as acusações, afirmando que sua consciência está limpa e que defenderá sua honra e a de sua família sem concessões.

As acusações contra Rocha fazem parte de uma ação mais ampla da administração do ex-presidente Donald Trump, que intensificou medidas contra o crime organizado na América Latina. Desde seu retorno ao poder em 2025, Trump classificou grupos como o Cartel de Sinaloa como organizações terroristas estrangeiras e chegou a ameaçar intervenções militares no México. Ele responsabilizou os cartéis pelo aumento da violência na região e criticou a suposta infiltração de criminosos no governo mexicano.

Em abril, a Justiça dos EUA divulgou uma denúncia criminal contra dez autoridades mexicanas e empresários, incluindo um senador de Sinaloa, o secretário de segurança pública do estado, o prefeito de Culiacán e líderes policiais. Ruben Rocha foi incluído nesse grupo. Segundo as acusações, Rocha teria vencido a eleição de 2021 com o apoio da facção "Los Chapitos", liderada pelos filhos do ex-chefe do cartel Joaquín "El Chapo" Guzmán. A denúncia aponta que essa facção teria manipulado urnas e sequestrado adversários políticos para garantir a vitória do governador.

Em troca, Rocha teria permitido que "Los Chapitos" colocassem aliados em cargos públicos no estado. No entanto, Claudia Sheinbaum, presidente do México e também integrante do partido Morena, ao qual Rocha pertence, pediu que os EUA apresentem provas concretas das acusações. Ela defendeu que qualquer cidadão mexicano, independentemente de sua filiação política, deve ter direito a um julgamento justo e que as investigações devem ser conduzidas pelas autoridades mexicanas.

Rocha justificou seu afastamento temporário como uma forma de colaborar com a Procuradoria-Geral da República (FGR) do México, que abriu uma investigação para avaliar a validade das acusações americanas. Em sua declaração recente, o governador afirmou que após 112 dias de investigação, a FGR não encontrou evidências que comprovem sua participação em atos criminosos, reforçando sua inocência segundo as leis mexicanas.

Apesar disso, a Secretaria de Governo do México emitiu um comunicado que contradiz parcialmente as declarações de Rocha, informando que as investigações continuam abertas para os dez indivíduos mencionados pelo Departamento de Justiça dos EUA, incluindo o governador de Sinaloa. O retorno de Rocha ao cargo foi descrito como uma decisão pessoal, e o governo mexicano reiterou o pedido para que os EUA forneçam as provas que sustentam as acusações.

A situação expõe a complexidade das relações entre México e Estados Unidos no combate ao crime organizado. A acusação contra um governador em exercício evidencia a dificuldade de separar política e segurança pública em regiões afetadas pela influência dos cartéis. O caso também ressalta a tensão diplomática entre os dois países, especialmente diante das medidas adotadas pela administração Trump, que incluem rotular grupos criminosos como organizações terroristas e ameaçar ações militares.

No cenário interno mexicano, a defesa de Rocha pelo partido Morena e pela presidente Sheinbaum pode fortalecer a narrativa de soberania nacional frente a pressões externas, mas também pode gerar divisões políticas e questionamentos sobre a eficácia das instituições no combate à corrupção e ao crime. A continuidade das investigações e a eventual apresentação de provas concretas serão determinantes para o desfecho do caso.

Em termos estratégicos, a permanência de Rocha no cargo pode influenciar a estabilidade política em Sinaloa, um estado crucial no tráfico de drogas. Caso as investigações avancem e novas evidências surjam, o governo mexicano poderá enfrentar pressão interna e externa para adotar medidas mais rigorosas. Por outro lado, a falta de provas claras pode enfraquecer a credibilidade das acusações americanas e impactar negativamente a cooperação bilateral na segurança.

Assim, os próximos passos devem incluir um equilíbrio delicado entre o respeito à soberania mexicana e a necessidade de combater o crime transnacional. A transparência das investigações e o diálogo entre os governos serão essenciais para evitar escaladas diplomáticas e garantir que as ações contra o crime organizado sejam eficazes e legítimas diante da opinião pública e das instituições internacionais.