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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Grandes manifestações noturnas no Irã marcam a sexta semana de conflito

Milhares de iranianos participaram de manifestações noturnas em várias cidades, demonstrando apoio à liderança do país em meio a um conflito que já dura mais de cinco semanas. Apesar dos ataques aéreos dos EUA e Israel e das milhares de vítimas, os protestos refletem a resistência interna do Irã. O bloqueio do estreito de Hormuz eleva a tensão no mercado mundial de petróleo, enquanto negociações para cessar-fogo enfr

Grandes manifestações noturnas no Irã marcam a sexta semana de conflito

Nas últimas semanas, o Irã tem sido palco de manifestações massivas durante a noite, com milhares de pessoas reunidas em diversas cidades importantes do país. Essas mobilizações ocorreram enquanto o conflito envolvendo o Irã completava sua 36ª jornada, demonstrando um apoio expressivo à liderança do país. Cidades como Teerã, Nazarabad, Qaemshahr e Dehdasht foram pontos centrais dessas manifestações, onde os participantes permaneceram nas ruas até o amanhecer, carregando imagens do aiatolá Ali Khamenei e entoando seu nome.

Esses protestos, que já ultrapassam cinco semanas, persistem mesmo diante de uma série de ataques aéreos coordenados pelos Estados Unidos e Israel, que têm causado um número significativo de vítimas. De acordo com dados de grupos internacionais de direitos humanos, mais de 3.500 pessoas perderam a vida desde o início dos ataques, incluindo mais de 1.600 civis e pelo menos 244 crianças. Apesar dessas perdas, as manifestações têm sido interpretadas como um símbolo da resistência e da unidade nacional iraniana.

Vídeos divulgados por canais em persa mostram que os manifestantes prometem continuar nas ruas, desafiando as ameaças e condenando os ataques militares. Em Teerã, a capital, as ruas centrais ficaram lotadas, com os participantes entoando slogans contra aqueles que consideram traidores e hipócritas. Em Nazarabad, localizada a oeste de Teerã, a presença popular foi destacada pela mídia local como uma demonstração clara de força e apoio ao governo.

Na cidade de Qaemshahr, no norte do país, os moradores também se reuniram para reafirmar seu comprometimento com a liderança, reforçando a mobilização pública que tem se mantido constante. O contexto do conflito remonta ao final de fevereiro, quando uma ofensiva não provocada dos Estados Unidos e Israel contra o Irã teve início. Um dos principais pontos de tensão é o estreito de Hormuz, uma via estratégica para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial.

O Irã respondeu ao conflito fechando o estreito para navios considerados inimigos, incluindo os dos Estados Unidos e Israel, o que elevou o preço do barril de petróleo Brent para acima de 100 dólares. Recentemente, uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão foi apresentada a Washington e Teerã, mas o governo iraniano rejeitou a reabertura temporária do estreito, afirmando que analisará a proposta conforme seus próprios termos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a retórica ao ameaçar bombardear infraestruturas iranianas caso um acordo não seja alcançado. Em uma postagem nas redes sociais, ele exigiu a reabertura imediata do estreito, advertindo sobre consequências severas.

Do ponto de vista estratégico, a continuidade das manifestações no Irã indica uma forte coesão interna, apesar das pressões externas e das perdas humanas significativas. A resistência popular pode fortalecer a posição do governo iraniano em negociações futuras, dificultando a imposição de condições externas. Por outro lado, a manutenção do bloqueio no estreito de Hormuz representa um desafio para o mercado global de energia, podendo gerar instabilidade econômica em escala internacional.

Os próximos passos provavelmente envolverão negociações diplomáticas complexas, com a possibilidade de mediações regionais e internacionais para evitar uma escalada maior do conflito. A postura firme do Irã e a pressão dos Estados Unidos indicam que o impasse pode se prolongar, com riscos crescentes para a segurança regional e global.