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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Grupos judaicos criticam Andy Burnham por declarações sobre Israel antes de assumir como PM do Reino Unido

Grupos judaicos britânicos criticam Andy Burnham por declarações que pedem maior pressão sobre Israel, alertando para riscos de aumento do antissemitismo no Reino Unido.

Grupos judaicos criticam Andy Burnham por declarações sobre Israel antes de assumir como PM do Reino Unido

Organizações judaicas do Reino Unido manifestaram preocupação significativa em relação às declarações feitas por Andy Burnham, provável próximo primeiro-ministro britânico, sobre a situação em Israel e Palestina. Burnham, membro do Partido Trabalhista, publicou um vídeo nas redes sociais defendendo que o Reino Unido deve intensificar a pressão sobre o governo israelense, principalmente em relação ao tratamento dos palestinos na Faixa de Gaza e à venda de armas que seriam utilizadas na Cisjordânia e em Gaza. Ele destacou a morte de civis palestinos, incluindo crianças, e apontou para a continuidade da crise humanitária na região, criticando a expansão das áreas sob controle militar israelense em Gaza.

Em resposta, o Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos e o Conselho de Liderança Judaica emitiram uma declaração conjunta pedindo que os líderes do Reino Unido adotem uma postura cuidadosa em seus discursos sobre o conflito, especialmente diante do aumento recente dos casos de antissemitismo no país. Eles ressaltaram que o combate ao antissemitismo deve abordar todas as suas causas, incluindo extremismos islâmico, de esquerda e de direita, que ultrapassam a crítica legítima ao governo israelense e se manifestam como ódio direcionado a judeus e israelenses. Segundo essas organizações, tais discursos distorcidos e unilaterais sobre Gaza contribuem para a normalização e o aumento da violência antissemita.

O comunicado também recorda que Burnham, enquanto prefeito da Grande Manchester, teve contato direto com as consequências do antissemitismo extremo, citando o ataque ocorrido no outono passado em uma sinagoga de Manchester durante o Yom Kippur, quando um jihadista ligado ao Estado Islâmico abriu fogo contra fiéis. Desde os ataques do Hamas em outubro de 2023, o Reino Unido registrou um aumento em incidentes antissemitas, incluindo tiroteios, esfaqueamentos e ataques a incêndio.

Burnham, que recentemente retornou ao Parlamento, é o único candidato esperado para substituir Keir Starmer na liderança do Partido Trabalhista e, consequentemente, na chefia do governo britânico. Desde que assumiu em julho de 2024, o governo trabalhista tem adotado medidas como sanções contra ministros israelenses acusados de incentivar a violência de colonos na Cisjordânia, suspensão das negociações de livre comércio com Israel e reconhecimento formal do Estado da Palestina, embora críticos palestinos considerem essas ações insuficientes.

Nas suas declarações recentes, Burnham evitou acusar Israel de genocídio em Gaza, uma acusação feita abertamente pelo Partido Verde do Reino Unido, mas afirmou que há evidências crescentes de possíveis crimes de guerra. O governo israelense mantém que suas operações militares seguem o direito internacional, negando que civis sejam alvos e destacando medidas como avisos prévios para evacuações e facilitação da ajuda humanitária, além de apontar que o Hamas opera em áreas civis.

A expectativa é que as organizações judaicas discutam essas preocupações diretamente com Burnham e sua equipe em breve. O debate sobre o equilíbrio entre críticas legítimas às políticas israelenses e o combate ao antissemitismo permanece central no cenário político britânico, especialmente diante da crescente tensão no Oriente Médio e seu reflexo nas comunidades judaicas do Reino Unido.

Analisando o contexto, as declarações de Burnham indicam uma possível intensificação da política externa britânica em relação ao conflito israelense-palestino, com maior pressão sobre Israel e apoio ampliado à causa palestina. Isso pode influenciar as relações diplomáticas bilaterais e afetar o posicionamento do Reino Unido em fóruns internacionais. Por outro lado, a resposta das organizações judaicas evidencia a preocupação com o impacto dessas posições no aumento do antissemitismo doméstico, um desafio que o futuro governo terá que gerir com delicadeza para evitar a polarização social e garantir a segurança das comunidades afetadas.

Nos próximos meses, será fundamental acompanhar como Burnham equilibrará suas propostas de política externa com a necessidade de manter a coesão social interna, especialmente considerando o histórico recente de violência e intolerância. A forma como o Reino Unido atuará no cenário internacional poderá ter repercussões significativas na estabilidade regional do Oriente Médio e no ambiente político interno britânico.