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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Guerra comercial entre EUA e Canadá eleva riscos de recessão e perdas de empregos

Disputa comercial entre EUA e Canadá eleva risco de recessão no Canadá e pode causar perda de 100 mil empregos, com tarifas recíprocas afetando setores-chave.

Guerra comercial entre EUA e Canadá eleva riscos de recessão e perdas de empregos

A escalada da disputa comercial entre Estados Unidos e Canadá tem gerado preocupações significativas sobre o impacto econômico para ambos os países, especialmente para o Canadá. A imposição de tarifas recíprocas tem aumentado o risco de recessão no país vizinho, com especialistas alertando para possíveis perdas de até 100 mil empregos. O conflito comercial intensificou-se após o colapso das negociações entre os dois governos, levando os EUA a aplicarem tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses, incluindo ameaças de estender essas tarifas a todos os produtos automotivos a partir de janeiro do próximo ano.

Em resposta, o governo canadense anunciou medidas retaliatórias envolvendo tarifas graduais de 15%, 25% e 50% sobre mais de 700 produtos americanos, também avaliados em US$ 20 bilhões, com vigência prevista para 8 de setembro. Embora essa reação tenha provocado um aumento do sentimento nacionalista no Canadá, analistas alertam que o efeito econômico adverso pode minar esse apoio popular com o tempo.

A economia canadense, que representa cerca de um décimo do tamanho da americana, depende fortemente do mercado dos EUA, para onde exporta aproximadamente 70% de seus produtos. Isso torna o país particularmente vulnerável às tarifas impostas pelo governo americano. Estimativas indicam que as tarifas poderão reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) canadense em 0,3 ponto percentual no próximo ano, com impactos mais severos em províncias como Quebec, New Brunswick, Ontário e British Columbia, que possuem setores industriais e exportadores diretamente afetados.

Setores como cimento, papel, madeira, bebidas, vestuário, plásticos e eletrônicos são os mais suscetíveis às perdas, por serem produtos facilmente substituíveis. Por outro lado, as tarifas canadenses terão um efeito limitado sobre a economia dos EUA, mas podem prejudicar estados e empresas que dependem do comércio com o Canadá. Consultores de comércio internacional já relatam planos de fechamento de fábricas e demissões caso as tarifas permaneçam vigentes, evidenciando a gravidade da situação.

A tensão bilateral também se manifestou em ações simbólicas, como a decisão do governo americano de renomear o Lago Ontário para "Lago América", em protesto contra o Canadá. Essa medida foi criticada por autoridades canadenses, que ressaltaram a origem indígena do nome "Ontário" e sua antiguidade histórica.

Economistas destacam que a deterioração das relações comerciais pode levar ao fim do acordo USMCA (Estados Unidos, México e Canadá), que atualmente protege a maior parte das exportações canadenses contra tarifas americanas. A revogação desse pacto poderia empurrar a economia canadense para uma recessão e estabelecer um caminho de crescimento mais fraco a longo prazo.

O setor automotivo é um dos mais vulneráveis neste cenário. Desde o início do segundo mandato do presidente americano, tarifas de 25% foram aplicadas sobre veículos e peças canadenses, com exceções para produtos que cumprissem as regras do USMCA. A ameaça de aumentar essas tarifas para 50% em 2027 pode prejudicar significativamente a indústria automotiva em ambos os países, especialmente em estados americanos do Meio-Oeste, como Michigan, Ohio e Indiana, que dependem de componentes fabricados no Canadá.

O momento da possível elevação das tarifas, logo após as eleições legislativas americanas, sugere que o governo dos EUA poderá adotar medidas comerciais mais agressivas sem receio de repercussões políticas imediatas. Isso pode gerar um ambiente tarifário mais volátil durante o restante do mandato presidencial.

Internamente, o Canadá enfrenta divergências sobre a melhor forma de responder às medidas americanas. Enquanto o primeiro-ministro de Ontário defende uma postura firme, incluindo a possibilidade de cortar exportações de eletricidade e minerais estratégicos para os EUA, outras províncias como Alberta e Saskatchewan têm rejeitado propostas de taxar recursos naturais como petróleo e potássio.

Especialistas observam que o desfecho dessa disputa terá repercussões além das fronteiras canadenses, influenciando a dinâmica comercial e política na América do Norte. A data de 8 de setembro, quando as tarifas retaliatórias canadenses entram em vigor, é vista como um ponto crítico para o futuro das negociações e do relacionamento bilateral.

Em resumo, a guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá apresenta riscos concretos para o crescimento econômico, emprego e estabilidade das cadeias produtivas em ambos os países. A continuidade do conflito pode resultar em recessão para o Canadá e prejuízos significativos para setores industriais estratégicos. O cenário exige atenção às negociações futuras, que poderão definir se haverá uma escalada ou uma retomada do diálogo para reduzir as tensões comerciais.

A análise estratégica indica que a manutenção das tarifas e a possível ruptura do USMCA podem enfraquecer a integração econômica da América do Norte, afetando a competitividade global das indústrias locais. Por outro lado, a resiliência demonstrada pelo Canadá e a pressão interna por soluções negociadas sugerem que há espaço para acordos que minimizem os danos econômicos. O acompanhamento das próximas etapas das negociações será fundamental para entender os impactos de médio e longo prazo para a região.