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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Guerra na Ucrânia: taxa de perdas russas quase triplica em um ano

Taxa de perdas russas na guerra da Ucrânia quase triplicou em um ano, enquanto avanços territoriais russos diminuem e dificuldades financeiras aumentam.

Guerra na Ucrânia: taxa de perdas russas quase triplica em um ano

A guerra entre Rússia e Ucrânia permanece em um impasse territorial em 2026, enquanto a taxa de perdas militares russas quase triplicou em comparação ao ano anterior. Relatórios recentes indicam que a Rússia enfrenta dificuldades crescentes tanto no campo de batalha quanto na economia, refletindo um cenário de desgaste progressivo.

Segundo dados da Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos, a Ucrânia conseguiu recuperar cerca de 400 quilômetros quadrados na região de Dnipropetrovsk durante o primeiro trimestre de 2026, uma área maior do que a recuperada em qualquer período desde o final de 2022. Apesar disso, a Rússia ainda registra um ganho líquido de território, embora em ritmo significativamente reduzido.

O Instituto para o Estudo da Guerra, sediado em Washington, apontou que entre 1º de janeiro e 26 de maio de 2026, as forças russas avançaram apenas 104 quilômetros quadrados, contra 1.619 quilômetros quadrados no mesmo intervalo do ano anterior. Além disso, houve contestação de mais 628 quilômetros quadrados, sem controle efetivo.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy informou que as perdas russas neste ano chegaram a 145 mil soldados, incluindo 86 mil mortos e 59 mil feridos graves. O Ministério da Defesa da Ucrânia destacou que a taxa de perdas é de 179 soldados russos por quilômetro quadrado avançado, um índice superior à capacidade estimada de reposição do exército russo.

No aspecto financeiro, a Rússia enfrenta dificuldades para sustentar o esforço bélico. O país ultrapassou seu limite de déficit orçamentário para 2026 já em abril e tem reduzido rapidamente suas reservas cambiais. O Banco Central russo revelou a venda de 27,9 toneladas de ouro neste ano, avaliadas em mais de 4 bilhões de dólares, levando as reservas de ouro ao menor nível desde o início da invasão em fevereiro de 2022.

A perda de acesso ao serviço de satélites Starlink, utilizado pela Rússia para direcionamento e contra-fogo de artilharia, foi apontada como um fator que facilitou a retomada territorial ucraniana. A Ucrânia tem investido em ataques logísticos com drones de médio alcance e artilharia para interromper o fluxo de suprimentos russos, estratégia denominada "Logistical Lockdown".

Autoridades ucranianas afirmam que essa tática tem impedido o reforço das linhas de frente russas, reduzindo a superioridade numérica e de recursos do adversário. Em resposta, a Rússia restringiu o trânsito na rodovia M-14, que conecta cidades estratégicas ocupadas, devido ao aumento dos ataques a veículos.

No campo aéreo, a Ucrânia recebeu reforços com a doação de 16 caças Gripen pela Suécia, além da compra de mais 20 unidades financiadas por um empréstimo da União Europeia no valor de 2,9 bilhões de dólares. O presidente Zelenskyy destacou que esses aviões, equipados com mísseis Meteor de longo alcance, são essenciais para combater as bombas planadoras russas, que têm causado danos significativos nas linhas de frente.

A ofensiva ucraniana também atingiu a economia russa, com ataques a depósitos de petróleo e terminais no Mar Negro, incluindo Novorossiysk e Tamanneftegaz, além de instalações industriais e bases aéreas em território russo, como a planta química Metafrax em Perm e a base aérea de Taganrog.

Por sua vez, a Rússia intensificou ataques aéreos contra Kiev, utilizando uma combinação massiva de drones e mísseis para sobrecarregar as defesas ucranianas. Em 24 de maio, foram lançados 600 drones e 90 mísseis, incluindo 36 balísticos. As defesas ucranianas conseguiram interceptar a maioria dos ataques, mas alguns atingiram alvos civis e governamentais, causando feridos e mortes.

A Rússia justificou esses ataques como retaliação a um ataque ucraniano em uma instituição educacional na região de Luhansk, que Moscou classificou como um ato terrorista. O Ministério das Relações Exteriores russo declarou que continuará a atacar instalações militares e centros de comando em Kiev, alertando estrangeiros, incluindo diplomatas, para deixarem a capital.

Além disso, a Rússia destacou o uso do míssil Oreshnik, de alcance intermediário, em ataques recentes, com posicionamento estratégico também na Bielorrússia.

Analisando o contexto, a escalada das perdas russas e a redução da capacidade de reposição indicam um desgaste significativo das forças de Moscou. A dificuldade financeira para sustentar a guerra pode limitar a continuidade das operações em larga escala. Por outro lado, a Ucrânia tem conseguido avanços táticos importantes, especialmente na interrupção das linhas de suprimento russas, o que pode influenciar o equilíbrio no campo de batalha.

No médio prazo, a continuidade dos ataques ucranianos a infraestruturas estratégicas russas e o reforço da defesa aérea com novos caças podem aumentar a pressão sobre as forças russas. A resposta de Moscou com ataques a centros urbanos e a ameaça a estrangeiros em Kiev indicam uma tentativa de desgastar a moral ucraniana e influenciar a opinião internacional. O desenrolar desses fatores será determinante para o rumo do conflito nos próximos meses.