O grupo Hamas declarou ter aceitado o plano de desarmamento completo proposto pelo Conselho de Paz, após o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo um representante sênior do Hamas, uma declaração oficial será divulgada em breve confirmando o acordo. Até o momento, Israel ainda não se pronunciou sobre o tema.
O presidente Trump afirmou que Israel iniciará a retirada de Gaza conforme o desarmamento for concluído, classificando o acordo como um passo decisivo para que a região seja governada por um novo governo palestino. Essa iniciativa faz parte da segunda fase do plano de cessar-fogo mediado pelos EUA, que prevê também a reconstrução da Faixa de Gaza.
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump destacou que o acordo será implementado em etapas cuidadosamente estruturadas. Conforme o desarmamento avança, as forças israelenses se retirarão, e uma Força Internacional de Estabilização trabalhará em conjunto com uma nova força policial palestina para garantir a segurança dos residentes de Gaza e das regiões vizinhas.
O presidente americano também agradeceu aos países mediadores envolvidos no processo, que incluem Egito, Catar e Turquia. Está previsto que o Egito sediará uma reunião para discutir a segunda fase do plano de cessar-fogo, conforme reportado pela agência de notícias AFP, citando a mídia estatal egípcia.
Fontes não identificadas informaram que as negociações entre mediadores e líderes do Hamas em Cairo apresentaram avanços raros na implementação do plano de paz dos EUA para Gaza. Entretanto, um representante israelense indicou que os termos propostos não atendem às exigências de Jerusalém.
Após o anúncio de Trump, foi divulgado que o acordo teria sido assinado por negociadores do Hamas, do Conselho de Paz e dos países mediadores. Ainda assim, um órgão israelense declarou que a proposta de desarmamento não satisfaz as condições estabelecidas por Israel.
No início do ano, o Hamas rejeitou um plano de desarmamento apresentado por um dos principais negociadores do governo Trump para a região. Em julho, o grupo elegeu um novo líder, Khalil al-Hayya, que substituiu Yahya Sinwar, morto em outubro de 2024 durante uma operação militar israelense. Hayya é o principal negociador do Hamas e tem conduzido as delegações em conversas indiretas de cessar-fogo com mediadores no Egito e no Catar.
O Conselho de Paz, inicialmente concebido para ajudar a encerrar o conflito entre Israel e Hamas e supervisionar a reconstrução de Gaza, tem um estatuto que não menciona explicitamente o território palestino, sugerindo que sua função pode substituir a da Organização das Nações Unidas na região.
O conflito atual teve início com um ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas e no sequestro de 251 indivíduos. Em resposta, Israel lançou uma ampla campanha militar em Gaza, que já causou mais de 73 mil mortes, incluindo mais de 21 mil crianças, conforme dados do ministério da saúde controlado pelo Hamas.
A possível desmobilização do Hamas e a retirada israelense podem abrir caminho para uma nova fase de governança em Gaza, com maior participação internacional na segurança e reconstrução da região. Contudo, a ausência de um posicionamento claro de Israel e as divergências sobre os termos do acordo indicam que o processo ainda enfrenta desafios significativos.
A continuidade das negociações dependerá da capacidade dos mediadores de conciliar as demandas israelenses com as condições impostas pelo Hamas e pelo Conselho de Paz. A implementação prática do desarmamento e da reconstrução será determinante para a estabilidade futura de Gaza e para a redução das tensões entre israelenses e palestinos.
Caso o acordo avance, a presença da Força Internacional de Estabilização e a formação de uma nova polícia palestina podem representar um novo modelo de administração e segurança na região, potencialmente reduzindo a influência de grupos armados e promovendo a reconstrução econômica e social. No entanto, o sucesso dessa iniciativa dependerá do comprometimento das partes envolvidas e do apoio contínuo da comunidade internacional.