O governo húngaro de Péter Magyar enviou Marton Hajdu, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento, a Washington para pedir que a Hungria seja poupada temporariamente das novas medidas dos Estados Unidos contra compradores de energia russa. Hajdu afirmou ter tratado do tema com parlamentares republicanos e pedido uma isenção ou prazo de adaptação.
A pressão aumentou depois que o presidente Donald Trump sancionou, em 18 de setembro, a H.R. 5334, lei que amplia instrumentos de punição econômica contra a Rússia e pode alcançar compradores relevantes de petróleo e gás russos. A medida cria um problema imediato para Budapeste: o país ainda depende fortemente desses fornecimentos, mesmo sob um governo que declara querer reduzi-los.
Segundo relato sobre a negociação, uma dispensa americana obtida durante o governo anterior de Viktor Orbán valeria até 21 de novembro. Não há confirmação pública de que ela será renovada. Se a proteção expirar sem substituição, a Hungria poderá ficar exposta às novas penalidades americanas.
Hajdu argumentou que a dependência energética russa é um risco para o país, mas que uma ruptura rápida teria custos elevados. O argumento tem base no peso atual do petróleo russo: em 2025, a Hungria importou cerca de 100 mil barris por dia, volume equivalente a aproximadamente 90% de seu abastecimento, segundo análise da S&P Global.
O pedido mostra a distância entre diversificar fornecedores e conseguir substituir, no curto prazo, o principal fornecedor. O governo TISZA afirma que iniciou uma redução gradual da dependência russa após assumir o poder. Ao mesmo tempo, a Casa Branca registrou que a empresa húngara MOL comprou 510 mil toneladas de petróleo americano em 2026. Essa compra amplia as opções de Budapeste, mas é muito menor que o volume anual historicamente vindo da Rússia.
Para Washington, a decisão sobre uma extensão será também um teste político. Uma isenção daria tempo à Hungria para reorganizar sua oferta de energia, mas manteria por mais tempo compras que a nova lei procura desestimular. Negar o pedido aumentaria a pressão por alternativas, com risco de custos e dificuldades de abastecimento para um país cuja dependência ainda é concreta. O ponto a acompanhar agora é se os Estados Unidos condicionarão qualquer prazo adicional a metas claras de redução das importações russas.