O Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF) emitiu um alerta indicando que o braço militar do Hamas está se preparando para um possível retorno ao conflito armado contra Israel. Segundo informações divulgadas, o grupo terrorista tem intensificado a produção de explosivos e mísseis antitanque, além de recrutar novos combatentes jovens, com idades entre 18 e 22 anos. Também foi retomado o treinamento da força de elite Nukhba, um componente estratégico do Hamas.
Além disso, o Hamas está reconstruindo a infraestrutura subterrânea na Faixa de Gaza, que havia sido destruída ao longo de dois anos de confrontos com as forças israelenses. Há relatos de tentativas de contrabando de drones e equipamentos de comunicação vindos da Península do Sinai, o que reforça a preocupação das autoridades israelenses sobre a capacidade do grupo de renovar suas operações militares.
O alerta foi direcionado ao Chefe do Estado-Maior, Tenente-General Eyal Zamir, que recebeu a avaliação de que o Hamas mantém uma posição sólida no terreno, sem ameaças significativas à sua autoridade, e não demonstra disposição em ceder o controle da região de Gaza. Diante desse cenário, o IDF considera necessário retomar uma ofensiva contra o grupo, mas enfrenta resistência dos Estados Unidos, que preferem manter o atual status quo enquanto buscam avançar com o plano de paz promovido pelo então presidente Donald Trump.
Este plano, apoiado pelo Conselho de Segurança da ONU, resultou em um cessar-fogo firmado em outubro de 2025, dois anos após o início da guerra desencadeada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A segunda fase do acordo, que prevê a retirada gradual das tropas israelenses, o desarmamento do Hamas e a implantação de uma força internacional de segurança, ainda não foi implementada.
O Hamas condiciona seu desarmamento ao cumprimento integral da primeira etapa do acordo por parte de Israel, que inclui o fornecimento de ajuda humanitária, a retirada de tropas e a cessação dos ataques. Por sua vez, o enviado da iniciativa de paz para Gaza, Nickolay Mladenov, defende que a adesão de Israel às obrigações da primeira fase só ocorrerá se o Hamas aceitar o desarmamento previsto na segunda etapa.
Enquanto o plano não avança, o IDF mantém uma rotina quase diária de ataques a alvos em Gaza, justificando as ações como resposta a violações do cessar-fogo e tentativas de ataques terroristas contra suas tropas. Recentemente, um membro da Jihad Islâmica Palestiniana, Zaher Abu Salem, que participou do sequestro de civis israelenses em 7 de outubro, foi morto em um ataque aéreo no norte de Gaza.
Fontes locais vinculadas ao Hamas relataram que três pessoas, incluindo uma criança de oito anos, foram mortas em um ataque na cidade de Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza. O IDF não comentou imediatamente sobre esse incidente.
Desde o início do cessar-fogo, mais de mil palestinos foram mortos, segundo o ministério da saúde controlado pelo Hamas, que não diferencia entre civis e combatentes. Do lado israelense, cinco soldados perderam a vida no mesmo período.
Paralelamente aos ataques, as forças israelenses ampliaram a área sob seu controle dentro da Faixa de Gaza, atualmente estimada em pelo menos 60% do território, acima dos 53% controlados no início do cessar-fogo. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que ordenou a retomada de mais territórios, visando controlar até 70% da região.
Nas áreas não controladas por Israel, o Hamas mantém seu domínio como governo de fato, resistindo a entregar o poder a uma autoridade de transição enquanto não houver desarmamento. Apesar dos danos causados pela guerra, o grupo continua exercendo controle rigoroso, inclusive eliminando opositores e ameaças internas.
A situação atual representa um impasse delicado, com o Hamas fortalecendo suas capacidades militares e Israel enfrentando limitações políticas e diplomáticas para uma ação mais contundente. A oposição dos Estados Unidos a uma nova ofensiva israelense indica a preferência por uma solução política e pela manutenção da estabilidade relativa, apesar das violações frequentes do cessar-fogo.
No contexto estratégico, a retomada das hostilidades poderia desencadear uma escalada significativa na região, com impactos diretos na segurança de Israel e na estabilidade do Oriente Médio. A continuidade do status quo, por outro lado, mantém a tensão latente, com riscos de novos confrontos em curto prazo.
A evolução do conflito dependerá da capacidade das partes em avançar nas negociações do plano de paz e da disposição do Hamas em aceitar condições que envolvam o desarmamento. A postura dos Estados Unidos e da comunidade internacional será crucial para mediar esse processo e evitar uma nova rodada de violência que possa afetar não apenas a região, mas também as relações geopolíticas globais.