O serviço de inteligência interna da Alemanha, o BfV, divulgou um relatório em 2025 que indica que quase metade dos membros do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) apresenta potencial para extremismo de direita. Segundo o documento, cerca de 28 mil dos aproximadamente 70 mil filiados ao partido são considerados suscetíveis a posições extremistas, um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando esse número era estimado em 20 mil.
O relatório destaca que o AfD não demonstrou sinais de moderação em suas posturas, mantendo posições que atraem a atenção das autoridades de segurança. Entre essas posturas, está a defesa de uma concepção do povo alemão baseada em ancestralidade étnica, uma visão já considerada incompatível com a Constituição alemã pelos tribunais.
O documento menciona declarações de Bjoern Hoecke, líder do AfD no estado da Turíngia, que classificou um programa da ONU de reassentamento como uma "substituição populacional". Essa retórica é vista como parte de um processo de "homogeneização ideológica" dentro do partido, onde as posições liberais-conservadoras quase não são expressas publicamente.
O AfD tem ganhado força nas pesquisas eleitorais nacionais, superando o partido conservador do chanceler Friedrich Merz, e lidera com folga em estados do leste da Alemanha, como Saxônia-Anhalt, onde pode conquistar o governo pela primeira vez nas eleições previstas para setembro.
Apesar das avaliações do BfV, o AfD rejeita as acusações de extremismo, classificando as análises do serviço de inteligência como motivadas politicamente.
O relatório também ressalta que o extremismo de direita permanece a maior ameaça à democracia alemã. As autoridades destacam o aumento da atração de jovens para ideologias extremistas, especialmente no ambiente digital, além da melhora na organização e do crescimento da violência entre grupos extremistas.
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, enfatizou a pressão interna que o país enfrenta de diversas formas de extremismo, tanto no espaço digital quanto nas ruas. Além disso, o vice-presidente do BfV, Sinan Selen, alertou para ameaças externas, incluindo sabotagem e espionagem, especialmente por parte da Rússia.
Este cenário revela desafios crescentes para a segurança interna da Alemanha, com o fortalecimento de um partido de direita que mantém posições controversas e que pode influenciar decisivamente o panorama político nacional. A ascensão do AfD em regiões do leste do país pode alterar o equilíbrio político local e nacional, exigindo respostas estratégicas das autoridades para conter a disseminação de ideias extremistas.
Em termos de próximos passos, é provável que o governo alemão intensifique a vigilância sobre o AfD e seus membros, além de promover iniciativas para combater a radicalização, especialmente entre os jovens. A pressão sobre o partido pode aumentar, tanto por meio de ações legais quanto por campanhas de conscientização pública.
No âmbito político, o crescimento do AfD pode levar a uma polarização maior na sociedade alemã, impactando negociações e alianças partidárias. A capacidade do partido de conquistar governos regionais, como em Saxônia-Anhalt, pode servir como plataforma para ampliar sua influência e consolidar sua base eleitoral, o que exigirá atenção contínua das instituições democráticas do país.