Após uma batalha judicial que durou cerca de um ano, a detetive da polícia israelense Rinat Saban foi promovida ao posto de superintendente-chefe nesta terça-feira, mesmo diante da forte resistência do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir. Desde março de 2025, Ben Gvir se recusava a aprovar a promoção de Saban, que contava com amplo apoio da alta cúpula policial, devido ao seu papel na investigação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu posterior testemunho no julgamento por corrupção.
Em fevereiro, o Tribunal Distrital de Jerusalém considerou ilegal a recusa do ministro, apontando que esta provavelmente se baseava em motivos alheios ao mérito profissional. O juiz responsável determinou que Ben Gvir deveria autorizar a promoção, mas o ministro manteve sua posição contrária. Na semana passada, o tribunal estipulou um prazo de cinco dias para que o ministro cumprisse a decisão, sob pena de a promoção ser efetuada independentemente de sua aprovação.
Na manhã de terça-feira, Ben Gvir apresentou um recurso no Supremo Tribunal contra a promoção, numa tentativa final de impedir a nomeação. Em sua petição, argumentou que não poderia aprovar a promoção de alguém que, segundo ele, teria violado a lei repetidamente. Historicamente, a assinatura do ministro para promoções policiais era considerada uma formalidade, sem poder real de veto, mas Ben Gvir tem alterado essa prática desde que assumiu o cargo.
Em cumprimento à decisão judicial, Saban recebeu seu novo posto em uma cerimônia discreta em Jerusalém, conduzida pelo vice-comissário Boaz Blatt, chefe da divisão de investigações e inteligência da polícia. O comissário-geral Danny Levy, que inicialmente estava previsto para participar, não compareceu ao evento. Levy manifestou apoio à promoção de Saban, mas evitou críticas diretas a Ben Gvir, apesar das tensões públicas entre eles.
Saban declarou durante a cerimônia que continuará a lutar por causas que considera justas e mencionou a expectativa de que outra investigadora, Ruti Hauslich, também seja promovida em breve, apesar de seu avanço estar igualmente bloqueado por Ben Gvir. Hauslich, que também atua na divisão liderada por Blatt, tem tido conflitos diretos com o ministro em diversas ocasiões.
Relatos recentes indicam um aumento das tensões entre Ben Gvir e Blatt. Críticos afirmam que o ministro tenta exercer influência excessiva sobre o trabalho policial, ameaçando a independência da corporação. Fontes indicam que Levy cogita demitir Blatt após este resistir a tentativas do comissário-geral de interferir na divisão de investigações, supostamente sob pressão de Ben Gvir. Um oficial de segurança anônimo comentou que Levy estaria favorecendo os interesses do ministro, enquanto Blatt permanece como o único membro da alta cúpula policial que não se submete às exigências políticas.
Além disso, Ben Gvir criou recentemente um novo departamento subordinado ao vice-comissário para investigar casos de incitação ligada ao terrorismo, uma iniciativa que gerou controvérsia. A Procuradora-Geral Gali Baharav-Miara solicitou a suspensão imediata das atividades dessa unidade, após denúncias de que seu chefe, superintendente Udi Ronen, teria pedido aos policiais que enviassem nomes de pessoas consideradas incômodas, com o objetivo de monitorar suas redes sociais e potencialmente iniciar investigações.
Em meio ao conflito no Irã, o Ministério da Segurança Nacional tem intensificado esforços para reprimir o que considera incitação, mas especialistas jurídicos alertam que tais medidas podem restringir a liberdade de expressão sob a justificativa de segurança em tempos de guerra.
A promoção de Rinat Saban representa um marco na disputa entre o Ministério da Segurança Nacional e a polícia israelense, evidenciando o embate entre interesses políticos e a autonomia das forças de segurança. A resistência de Ben Gvir à promoção e suas tentativas de controlar investigações sensíveis indicam uma possível politização crescente da polícia, o que pode afetar a credibilidade e a independência da instituição.
No curto prazo, espera-se que a Suprema Corte decida sobre o recurso apresentado pelo ministro, o que poderá definir limites para a interferência política nas promoções e investigações policiais. Caso a tendência de politização continue, poderá haver impactos negativos na eficácia das investigações e na confiança pública nas instituições de segurança. Por outro lado, a manutenção da independência da polícia fortaleceria o estado de direito e a imparcialidade no tratamento de casos envolvendo figuras políticas de alto escalão.