O comando militar central do Irã afirmou em 20 de setembro ter recebido a informação de que os Estados Unidos, com apoio de alguns países da região, preparavam novos ataques contra o país. A acusação veio acompanhada de uma ameaça: se Washington atacar, Teerã diz que responderá de forma prolongada contra bases e interesses americanos na região. Não há confirmação independente de que os EUA tenham aprovado um plano para retomar ataques.
A declaração iraniana procura desenhar um conflito de alcance maior que um eventual confronto direto com os Estados Unidos. O comando afirmou que países regionais que apoiassem uma ação americana seriam tratados como partes da guerra. Na prática, isso coloca instalações, interesses e governos que ofereçam apoio a Washington dentro da lógica de retaliação anunciada por Teerã, elevando o risco de uma crise se espalhar pela região caso haja nova ação militar americana.
Ao mesmo tempo, autoridades iranianas mantêm a porta da negociação condicionada a exigências amplas. Mohsen Rezaei disse que o Irã só voltaria às conversas após o fim da guerra em todas as frentes, o desbloqueio de fundos iranianos e o encerramento do bloqueio naval. Ele também afirmou que consultas com mediadores do Catar e do Paquistão continuavam e que Teerã aguardava uma resposta de Donald Trump.
Mohammad Bagher Ghalibaf, por sua vez, declarou que o Irã não reabriria o Estreito de Ormuz antes de suas condições serem cumpridas e dos compromissos americanos implementados. A fala transforma uma possível abertura da rota marítima em instrumento de pressão, mas não representa um acordo nem a retomada das negociações.
O quadro exposto por Teerã combina dissuasão militar e barganha política. A ameaça de atingir interesses americanos e de incluir apoiadores regionais no conflito busca aumentar o custo de uma ofensiva, enquanto as condições para negociar vinculam uma saída diplomática a concessões prévias. O limite dessa estratégia é que a premissa central, a existência de uma decisão americana de reiniciar os ataques, permanece apenas como alegação iraniana.