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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã amplia ataques no Golfo após fechamento dos estreitos de Hormuz e Bab al-Mandeb

O fechamento dos estreitos de Hormuz e Bab al-Mandeb e a escalada de ataques entre EUA e Irã aumentam riscos às rotas marítimas e ao comércio global de petróleo.

Irã amplia ataques no Golfo após fechamento dos estreitos de Hormuz e Bab al-Mandeb

O conflito no Oriente Médio intensificou-se significativamente com o fechamento dos estreitos de Hormuz e Bab al-Mandeb, pontos estratégicos para o comércio global de petróleo. Na última terça-feira, dois petroleiros transportando petróleo saudita para a Ásia foram obrigados a retornar na região do Mar Vermelho após o anúncio de um bloqueio naval pelos houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita. Essa medida agrava ainda mais a pressão sobre as rotas comerciais marítimas, que já enfrentam interrupções devido às operações militares em curso na região.

O estreito de Bab al-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico, é vital para o trânsito de mercadorias entre o Oriente Médio, Europa e Ásia. Sua obstrução pode provocar atrasos significativos e aumento nos custos de transporte, afetando o mercado global de energia. Paralelamente, o estreito de Hormuz permanece um ponto crítico, com ataques e contra-ataques frequentes entre forças americanas, israelenses e iranianas.

Na madrugada de quarta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou ter realizado a 11ª rodada consecutiva de ataques contra alvos militares iranianos. As operações visaram centros de comando, instalações marítimas, hangares de aeronaves, depósitos de drones e infraestrutura logística, com o objetivo declarado de reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no estreito de Hormuz. O CENTCOM destacou que, nos últimos três meses, o Irã teria atacado mais de 30 embarcações comerciais na região.

As ações americanas atingiram diversas regiões do Irã, incluindo áreas próximas às cidades de Behbahan e Omidiyeh, na província de Khuzestan, além de um local militar nos arredores de Tabriz, no noroeste do país. Relatos indicam que defesas aéreas foram ativadas em Teerã, com explosões ouvidas também em Bushehr, Chabahar, Konarak, Hamadan, Ilam e na província do Curdistão iraniano.

Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou que a "operação para punir o agressor continua". As forças iranianas realizaram ataques com drones contra instalações militares dos Estados Unidos em Kuwait, Jordânia e Bahrein. Em Kuwait, o alvo foi o Campo Doha; na Jordânia, a base aérea Muwaffaq Salti, em Azraq; e em Bahrein, a base aérea Isa. Os ataques focaram em áreas de armazenamento de equipamentos, instalações de manutenção e abrigos de aeronaves.

O Departamento de Defesa dos EUA confirmou a morte de um terceiro soldado americano durante o ataque iraniano à base jordaniana em 17 de julho. O militar, de 28 anos, estava desaparecido e agora é considerado morto. Com isso, o total de soldados americanos mortos desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, chega a 18. Além disso, outro soldado faleceu no Iraque na semana anterior ao tentar desarmar explosivos em um drone iraniano.

Em meio à escalada militar, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que Washington está aberto a negociações para resolver o conflito, desde que o Irã demonstre seriedade. Caso contrário, os Estados Unidos estão preparados para proteger seus interesses e os de seus aliados.

Durante uma audiência no Senado, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, informou que o custo da guerra até o momento atingiu US$ 37,5 bilhões, solicitando a aprovação de mais US$ 67 bilhões para reabastecer os estoques de mísseis e armamentos.

A situação atual no Golfo e no Mar Vermelho representa um desafio significativo para a segurança das rotas marítimas internacionais, essenciais para o comércio global de petróleo e outras mercadorias. A continuidade dos ataques e contra-ataques pode prolongar a instabilidade regional, impactando os preços globais de energia e a segurança dos países envolvidos.

A perspectiva para os próximos meses indica a possibilidade de novas ofensivas e retaliações, com o risco de ampliação do conflito para outras áreas estratégicas. A postura dos Estados Unidos, que combina pressão militar com abertura para negociações, será determinante para o desenrolar da crise. Paralelamente, a resposta do Irã e dos grupos aliados, como os houthis, poderá influenciar a dinâmica do bloqueio das rotas marítimas e a segurança regional.

Em resumo, o fechamento dos estreitos de Hormuz e Bab al-Mandeb, junto com a intensificação dos ataques militares, cria um cenário de alta tensão que pode afetar diretamente o comércio internacional e a estabilidade geopolítica do Oriente Médio e do mundo.