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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã anuncia acordo próximo para reabrir Estreito de Hormuz e suspender bloqueio dos EUA

Irã e EUA estão próximos de acordo para reabrir o Estreito de Hormuz e suspender bloqueio naval, com negociações futuras sobre programa nuclear e medidas econômicas graduais.

Irã anuncia acordo próximo para reabrir Estreito de Hormuz e suspender bloqueio dos EUA

O Irã informou que está próximo de fechar um acordo com os Estados Unidos para encerrar os combates e reabrir o Estreito de Hormuz, uma importante rota marítima para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, declarou que o pacto também prevê o levantamento do bloqueio naval imposto pelos EUA ao país, enquanto as negociações sobre o programa nuclear iraniano deverão começar posteriormente.

Autoridades americanas confirmaram parte dos termos do acordo, ressaltando que os benefícios econômicos para o Irã dependerão do cumprimento das obrigações por parte de Teerã. O conflito teve início em 28 de fevereiro, com ataques realizados pelos EUA e Israel em território iraniano, o que levou o Irã a retaliar contra Israel e países aliados dos EUA no Golfo Pérsico, além de fechar efetivamente o Estreito de Hormuz.

Desde o cessar-fogo acordado em abril, a situação nas ruas de Teerã voltou a uma relativa normalidade, embora incidentes esporádicos de troca de tiros entre os EUA e o Irã tenham ocorrido, incluindo duas rodadas recentes de ataques recíprocos. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que cancelou ataques previamente programados contra o Irã após a negociação de um acordo considerado significativo, que está prestes a ser assinado.

No entanto, a mídia iraniana divulgou detalhes de um suposto acordo de 14 pontos que Trump contestou, afirmando que não correspondem aos termos combinados e não refletem a realidade. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador, confirmou que o Memorando de Entendimento (MOU) entre os EUA e o Irã foi acordado e aguarda finalização.

Araghchi mencionou que há tanto apoiadores quanto opositores do acordo dentro do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, e que a decisão final ainda não foi tomada. Caso seja aprovada, a assinatura do acordo poderá ocorrer remotamente. Israel não participa das negociações, que buscam estender o cessar-fogo e iniciar diálogos sobre o programa nuclear iraniano, tema que gera controvérsias há décadas, com acusações ocidentais de que o Irã busca desenvolver armas nucleares, o que o país nega, afirmando que seu programa é pacífico.

Em uma coletiva detalhada, autoridades americanas explicaram que o acordo prevê a reabertura imediata do Estreito de Hormuz e o levantamento do bloqueio naval dos EUA. Em seguida, será iniciado um período de 60 dias para negociar especificamente sobre o urânio enriquecido pelo Irã, material essencial para a fabricação de armas nucleares. A expectativa é que todo o urânio enriquecido seja destruído no local e removido do país, embora os detalhes do processo ainda estejam sendo definidos.

No aspecto econômico, os EUA descartaram a liberação imediata de recursos financeiros ao Irã, contrariando relatos anteriores que sugeriam o desbloqueio antecipado de ativos iranianos. O retorno do Irã à economia global será gradual, com a suspensão progressiva de sanções e o possível desbloqueio de fundos conforme o cumprimento das condições estabelecidas.

O acordo também inclui a exigência de que o Irã cesse o financiamento de grupos proxy na região, como o Hezbollah e outras organizações alinhadas ao país no Oriente Médio. As autoridades americanas enfatizaram que o Memorando de Entendimento não se baseia em confiança, mas em resultados verificáveis, e que os benefícios econômicos serão concedidos somente após a confirmação do cumprimento das medidas acordadas.

Apesar do otimismo cauteloso manifestado por todas as partes envolvidas — EUA, Irã, Paquistão e Catar, que também atua como mediador — ainda há pontos a serem resolvidos. Tentativas anteriores de fechar acordos semelhantes foram frustradas em fases avançadas. A atual negociação se diferencia pela maior transparência sobre o conteúdo do acordo e pelo clima mais positivo.

O ministro iraniano afirmou que, assim que as etapas finais forem concluídas, o acordo será assinado e divulgado oficialmente, possivelmente nos próximos dias. Ele ressaltou que o primeiro item do MOU é o fim do bloqueio naval americano ao Irã. Sobre o Estreito de Hormuz, Araghchi indicou que a gestão da passagem marítima não será mais como antes, mencionando que o Irã vinha cobrando uma taxa dos navios que transitavam, enquanto os EUA defendem a livre circulação.

Além disso, o acordo contempla o término do conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano, embora relatos anteriores sugerissem que o Líbano poderia não estar incluído no pacto, com o Irã insistindo na sua participação. O primeiro-ministro israelense declarou que seu país continuará a responder a ataques do Hezbollah no norte de Israel.

Em termos estratégicos, a reabertura do Estreito de Hormuz e o levantamento do bloqueio naval representam um alívio significativo para o comércio global de energia, já que cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial transitam por essa rota. A retomada do fluxo pode contribuir para a estabilização dos preços internacionais desses recursos.

Por outro lado, o acordo ainda enfrenta desafios internos no Irã, onde a aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional é essencial para sua implementação. A ausência de Israel nas negociações e as tensões regionais envolvendo grupos proxy indicam que o processo de pacificação e normalização das relações pode ser complexo e sujeito a reveses.

Os próximos passos incluem a assinatura formal do acordo, o início das negociações nucleares e a implementação gradual das medidas econômicas. O sucesso dessas etapas dependerá da capacidade das partes de manter o compromisso e da verificação rigorosa do cumprimento dos termos, o que pode influenciar a dinâmica geopolítica do Oriente Médio e as relações entre o Irã e o Ocidente nos próximos meses.