O Irã declarou que fechou novamente o Estreito de Hormuz em resposta aos ataques aéreos israelenses no sul do Líbano. O anúncio foi feito pelo comando militar iraniano, que justificou a medida como uma reação às ações de Israel, consideradas uma violação do acordo firmado entre Teerã e Washington para cessar as hostilidades. O Estreito de Hormuz é uma passagem marítima estratégica, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente.
Apesar da afirmação iraniana, o Comando Central dos Estados Unidos afirmou que o tráfego naval pelo estreito continua normalmente, com monitoramento constante para garantir a segurança da navegação. Um porta-voz do comando americano ressaltou que o Irã não controla o Estreito de Hormuz, minimizando o impacto da declaração iraniana.
No mesmo dia, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, partiu para a Suíça para participar de negociações diretas com representantes iranianos. O objetivo principal dessas conversas é avançar nas questões nucleares e discutir um cessar-fogo no Líbano. Vance afirmou que a situação na região tem apresentado sinais de melhora e desaceleração dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, destacando a necessidade de uma gestão contínua para garantir a segurança de ambos os países e da região como um todo.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou que o país exigirá que a outra parte cumpra seus compromissos no acordo. Paralelamente, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou sua participação nas negociações iniciais, reforçando o papel de seu país como mediador no conflito e anfitrião das rodadas anteriores de diálogo entre EUA e Irã, realizadas em Islamabad.
Recentemente, os presidentes dos Estados Unidos e do Irã assinaram um acordo preliminar com o intuito de encerrar o conflito, incluindo as hostilidades no Líbano. O pacto prevê a realização de novas negociações para um acordo definitivo dentro de um prazo de 60 dias.
No contexto do anúncio iraniano, dados de monitoramento indicaram que pelo menos cinco navios-tanque transitaram pelo Estreito de Hormuz no sábado, enquanto algumas embarcações realizaram manobras de retorno na região. O Comando Central dos EUA informou que o tráfego comercial aumentou, com 55 navios mercantes passando pelo estreito naquele dia.
A declaração do Irã ocorreu após ataques aéreos israelenses que teriam causado a morte de pelo menos 20 pessoas no sul do Líbano, menos de 24 horas após o estabelecimento de um novo cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. O ministério da saúde do Líbano informou que desde o reinício dos confrontos em 2 de março, mais de 4 mil pessoas foram vítimas do conflito.
O Hezbollah e Israel têm se acusado mutuamente de violar o cessar-fogo estabelecido na sexta-feira. No sábado, o exército israelense afirmou ter atingido dezenas de alvos do Hezbollah, após o grupo disparar mais de 50 projéteis contra forças israelenses na região. Em um dos ataques, uma família de quatro pessoas foi morta na cidade de Barich, segundo a mídia estatal libanesa. Além disso, um soldado israelense perdeu a vida em combate no sul do Líbano.
Autoridades israelenses reiteraram que não pretendem retirar suas tropas do Líbano e destacaram que o conflito com o Hezbollah, apoiado pelo Irã, é distinto da guerra contra o próprio Irã. Por sua vez, o Hezbollah classificou os ataques israelenses como uma tentativa de sabotar o acordo entre EUA e Irã.
O governo americano criticou as operações israelenses no Líbano, ressaltando que o país foi envolvido no conflito após o Hezbollah lançar foguetes em retaliação aos ataques dos EUA e Israel que resultaram na morte do líder supremo iraniano.
Em fevereiro, o Irã bloqueou efetivamente o Estreito de Hormuz após ataques dos EUA e Israel em seu território, provocando impactos significativos nos mercados globais de energia. O estreito é navegável para os maiores petroleiros do mundo e é utilizado por importantes produtores de petróleo e gás natural liquefeito do Oriente Médio, além de seus consumidores.
Estima-se que, em 2025, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados passem diariamente pelo Estreito de Hormuz, equivalente a um comércio energético anual avaliado em quase 600 bilhões de dólares.
A recente escalada no fechamento do estreito pelo Irã, mesmo que contestada pelos EUA, reforça a importância estratégica dessa passagem marítima para a estabilidade energética global. O desenrolar das negociações em curso entre EUA e Irã será fundamental para determinar se o acordo preliminar poderá evitar uma nova crise na região e garantir a segurança do transporte marítimo.
Caso o Irã mantenha sua posição de bloqueio, mesmo que parcial, o risco de interrupções no fornecimento de petróleo pode pressionar os preços internacionais e afetar mercados globais. Por outro lado, o diálogo diplomático em andamento oferece uma oportunidade para reduzir tensões e estabelecer mecanismos de controle que evitem escaladas militares.
Nos próximos dias, a atenção internacional estará voltada para os resultados das negociações em Genebra, que podem definir os rumos do conflito no Oriente Médio e a segurança do Estreito de Hormuz, um dos pontos mais sensíveis para o comércio energético mundial.