O Irã intensificou sua retórica militar após os Estados Unidos realizarem ataques contra petroleiros iranianos dentro da linha do bloqueio naval imposto no Golfo de Omã e no Estreito de Hormuz. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) divulgou imagens mostrando três petroleiros iranianos atingidos, dois deles permanentemente desativados e um terceiro afundado após bombardeios extensivos. O Irã, por sua vez, afirmou que o tempo para respostas proporcionais acabou e prometeu retaliações mais contundentes.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) exibiu vídeos de projéteis carregados de explosivos atingindo várias embarcações na região estratégica do Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás mundial em tempos de paz. Além disso, o IRGC declarou ter lançado mísseis balísticos contra um porta-aviões e outro navio de guerra dos EUA que participam do bloqueio naval, causando danos e forçando a retirada das embarcações, embora o CENTCOM tenha afirmado que os ataques foram evitados.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ressaltou que o Irã já infligiu "golpes significativos" a bases americanas na região e alertou que futuras agressões serão respondidas com ataques "mais rápidos, pesados e dolorosos". O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques dos EUA como ilegais e crimes de guerra, contrariando a Carta das Nações Unidas.
O bloqueio naval, em vigor desde meados de julho, tem causado impacto significativo nas exportações de petróleo do Irã, que foram praticamente interrompidas, embora o país ainda consiga vender parte do óleo armazenado em navios-tanque fora da área bloqueada, principalmente para a China. Autoridades americanas afirmam que o bloqueio e as sanções econômicas, denominadas "Operação Excluído Econômico", visam isolar o Irã e reduzir seu comércio regional.
Especialistas destacam que alternativas terrestres para o transporte de petróleo e derivados são limitadas e não substituem o volume transportado por petroleiros no Estreito de Hormuz. Em resposta à pressão econômica, o Ministério da Economia do Irã criou um "quartel-general de guerra econômica" para enfrentar os desafios internos, como inflação alta, desemprego e desequilíbrio energético.
O porta-voz do IRGC, Hossein Mohebbi, afirmou que os danos econômicos sofridos pelos EUA devido ao conflito e bloqueio são maiores do que os causados ao Irã, citando a redução das reservas estratégicas de energia americanas e a queda nas exportações de alumínio da região. O cenário atual mantém a tensão elevada no Golfo Pérsico, com riscos de escalada militar e impactos globais no mercado energético.