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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã ataca navios no Estreito de Hormuz após nova ofensiva dos EUA

Irã atacou navios no Estreito de Hormuz após nova ofensiva dos EUA, elevando tensões e impactando preços do petróleo globalmente.

Irã ataca navios no Estreito de Hormuz após nova ofensiva dos EUA

O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) do Irã declarou ter atacado embarcações no Estreito de Hormuz em resposta a uma nova série de ataques lançados pelos Estados Unidos contra alvos iranianos. A escalada ocorre após o presidente americano Donald Trump afirmar que o Irã seria atingido com força, criticando a demora de Teerã em fechar um acordo para encerrar o conflito.

O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que iniciou "ataques de autodefesa" na quarta-feira, justificando a ação como resposta à "agressão injustificada e contínua do Irã". Em contrapartida, a mídia estatal iraniana reportou que o IRGC atingiu duas embarcações no estreito, uma rota estratégica para o tráfego marítimo global.

Nos últimos dias, tanto o Irã quanto os Estados Unidos têm realizado ataques mútuos contra instalações militares e de vigilância, colocando à prova um cessar-fogo frágil que foi acordado em abril. Explosões foram ouvidas na ilha de Qeshm, no Golfo Pérsico, e em cidades como Bandar Abbas e Sirik, indicando a intensidade dos confrontos.

Em retaliação aos ataques americanos, a mídia iraniana anunciou o fechamento total do Estreito de Hormuz para todos os tipos de embarcações. Entretanto, o Centcom afirmou que navios comerciais continuam a transitar normalmente pela passagem marítima, o que demonstra uma divergência nas informações oficiais.

A notícia do fechamento do estreito provocou alta nos preços do petróleo, com o barril de Brent ultrapassando os 95 dólares, após um aumento de cerca de 2% nas negociações matinais na Ásia. O estreito é uma via crucial para o transporte de petróleo e derivados, e qualquer interrupção pode afetar os mercados globais de energia.

Poucas horas antes da ofensiva americana, Trump havia declarado que os Estados Unidos haviam atacado com força e que novas ações seriam realizadas. Em suas postagens na rede social Truth Social, ele criticou a demora do Irã em negociar um acordo, enquanto o Ministério das Relações Exteriores iraniano acusou os EUA de prejudicar o processo diplomático devido a mensagens contraditórias.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian reafirmou a resistência do país contra pressões e ameaças externas. Já o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que bombas seriam lançadas em instalações-chave iranianas, enfatizando que o Irã teve oportunidade para um acordo, mas não a aproveitou, e que novos ataques ocorreriam caso não houvesse um acordo de paz.

O cessar-fogo entre os dois países foi estabelecido em abril, inicialmente para durar duas semanas, mas desde então houve trocas esporádicas de ataques, sem que o conflito retornasse à intensidade anterior. Recentemente, as negociações para um acordo foram interrompidas e os confrontos aumentaram.

Na terça-feira, um helicóptero americano foi derrubado em um ataque atribuído ao Irã, o que levou o IRGC a retaliar com ataques a bases americanas no Oriente Médio. O secretário-geral da ONU, António Guterres, comentou que a região está sendo arrastada para uma crise mais profunda, e que os recentes ataques indicam que o cessar-fogo está mais para um "fogo menor" do que uma trégua real.

Guterres alertou para o risco de que esse "fogo menor" se transforme em um conflito aberto e pediu que todas as partes trabalhem por uma solução diplomática, evitando novos ataques e justificativas para a violência.

A situação atual no Estreito de Hormuz tem implicações significativas para a estabilidade regional e para o mercado global de energia. A interrupção do tráfego marítimo nesta passagem vital pode afetar o fornecimento de petróleo, elevando os preços e aumentando a volatilidade. Além disso, a escalada militar entre Irã e Estados Unidos aumenta o risco de um conflito mais amplo no Oriente Médio, o que exigirá esforços diplomáticos intensificados para evitar uma deterioração maior.

Os próximos passos provavelmente envolverão tentativas internacionais de mediação para restaurar o cessar-fogo e retomar negociações. A continuidade dos ataques pode levar a uma resposta mais contundente dos EUA e seus aliados, enquanto o Irã pode buscar ampliar sua influência regional para pressionar por concessões. O equilíbrio entre demonstrações de força e abertura ao diálogo será crucial para evitar uma crise maior no cenário geopolítico global.