O Irã anunciou que está na fase final de um acordo com Omã para estabelecer uma rota de navegação pelo Estreito de Hormuz, uma passagem estratégica para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, confirmou o progresso nas negociações, mas não divulgou detalhes específicos sobre o trajeto acordado.
Apesar do avanço, Baqaei ressaltou que a segurança na região ainda não está garantida, citando como principal obstáculo o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. Até o momento, nem os Estados Unidos nem Omã comentaram oficialmente sobre o acordo em desenvolvimento.
Desde fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã, o país tem restringido o trânsito pelo Estreito de Hormuz, que é responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Essa situação provocou oscilações significativas nos preços globais do petróleo.
Na última terça-feira, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que o Irã sofreria consequências severas caso o Estreito de Hormuz não fosse reaberto em breve. A declaração ocorreu após relatos de avanços em negociações que poderiam permitir a retomada das operações de transporte ainda nesta semana, embora o Irã tenha negado estar negociando diretamente com os EUA.
A reabertura do estreito tem sido um ponto central nas discussões entre os dois países e seus mediadores. O porta-voz iraniano informou que as coordenadas geográficas da rota foram definidas em conjunto com Omã, mas reiterou que as ações agressivas e o bloqueio naval dos EUA continuam a ameaçar a segurança regional.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, acrescentou que a nova rota será temporária, com duração estimada entre dois e quatro meses, sem fornecer mais detalhes sobre seu funcionamento.
Desde o início do conflito, o tráfego no Estreito de Hormuz diminuiu consideravelmente. O Irã tem exigido que todas as passagens sejam previamente autorizadas e atacou embarcações que desrespeitaram essa condição.
Um dos principais pontos de discórdia entre Teerã e Washington é a cobrança de taxas para a passagem de navios pelo estreito. O Irã pretende estabelecer tarifas entre 5% e 7% do valor da carga, enquanto Omã discute uma taxa em torno de 3%. Os Estados Unidos, por sua vez, rejeitam qualquer cobrança.
O acordo previsto também concederia ao Irã controle sobre os navios que entram no Golfo Pérsico pelo Estreito de Hormuz, o que representa uma mudança significativa na dinâmica de segurança e comércio da região.
Em junho, Irã e Estados Unidos firmaram um Memorando de Entendimento com o objetivo de cessar os combates, reabrir o Estreito de Hormuz e negociar o fim do conflito em até 60 dias. No entanto, o acordo e as conversas diplomáticas fracassaram rapidamente, com ataques mútuos sendo retomados poucos dias após a assinatura.
Os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos, enquanto outro bloqueio está ativo nos portos sauditas no Mar Vermelho, imposto pelos rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, desde 20 de julho.
O conflito teve início com ataques em 28 de fevereiro contra o Irã realizados pelos Estados Unidos e Israel, que provocaram retaliações iranianas contra Israel e aliados dos EUA na região, além do fechamento efetivo do Estreito de Hormuz.
Naquele ataque inicial, o então líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi morto e sucedido por seu filho Mojtaba Khamenei, que também foi ferido e desde então não apareceu em público.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou recentemente que a comunicação com o líder supremo tem sido "muito difícil" no momento, mas destacou a importância da presença dele para a continuidade da resistência do país.
Mojtaba Khamenei não participou das cerimônias fúnebres do pai e tem se comunicado principalmente por meio de declarações escritas. Seu perfil discreto tem gerado especulações sobre suas relações com outros altos funcionários do governo, embora Pezeshkian assegure que os encontros têm sido produtivos e baseados em diálogo racional.
O avanço nas negociações entre Irã e Omã para a definição de uma rota de navegação no Estreito de Hormuz pode representar um passo importante para a redução das tensões regionais e para a estabilização do mercado global de energia. No entanto, a continuidade do bloqueio naval americano e as divergências sobre as taxas de passagem indicam que o caminho para uma normalização plena ainda enfrenta obstáculos significativos.
A manutenção do controle iraniano sobre o tráfego marítimo na região pode alterar o equilíbrio estratégico no Golfo Pérsico, exigindo atenção das potências globais e dos países vizinhos. A evolução desse acordo e a resposta dos Estados Unidos e de Omã serão determinantes para o desenrolar dos próximos meses no contexto geopolítico do Oriente Médio.