O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após ele afirmar que o Estreito de Hormuz pertence aos EUA. Trump compartilhou uma imagem intitulada "Territórios dos EUA" que incluía o Estreito de Hormuz como uma nova posse americana, ao lado de territórios como Porto Rico e Guam. Essa declaração provocou uma resposta contundente do governo iraniano.
Gharibabadi descreveu o posicionamento de Trump como uma manifestação de "esquizofrenia" e "delírios", ressaltando que a esquizofrenia é um transtorno psicótico complexo que afeta a percepção da realidade e o pensamento. Ele afirmou que pessoas com esses sintomas precisam de supervisão e tratamento contínuo. A declaração iraniana destaca a rejeição de Teerã às alegações americanas sobre o controle do estreito.
Não é a primeira vez que Trump declara que os EUA têm controle total sobre o Estreito de Hormuz. No início de agosto, ele afirmou que manteria esse controle, descrevendo a presença americana na região como "um muro de aço". Além disso, Trump minimizou a capacidade naval e aérea do Irã, reforçando sua posição de domínio na região.
Por sua vez, o Irã reafirmou repetidamente que mantém o controle total do Estreito de Hormuz. O chefe de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, destacou que a alegação dos EUA sobre a posse do estreito está ainda mais distante da realidade do que os aproximadamente 7.000 quilômetros que separam Washington do local. Ele classificou esse cenário como parte da nova ordem pós-americana no Golfo Pérsico.
O tráfego diário pelo Estreito de Hormuz permanece significativamente reduzido, com apenas algumas dezenas de navios passando pela região, em comparação com cerca de 130 embarcações diárias antes do início do conflito em fevereiro. Essa diminuição reflete as tensões contínuas e os riscos geopolíticos na área.
Enquanto isso, os Estados Unidos recuaram de uma nova rodada de ataques militares contra o Irã, diante de relatos sobre a escassez de armas guiadas de longo alcance e sistemas de defesa aérea, embora Trump tenha negado essas limitações. Em vez disso, Washington adotou uma estratégia de "ataque econômico" para isolar financeiramente o Irã.
O Irã, por sua vez, mantém uma postura firme e desafiadora diante das sanções americanas. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país já enfrentou situações semelhantes anteriormente, descartando as medidas dos EUA como tentativas repetidas de pressão.
Essa disputa sobre o controle do Estreito de Hormuz reflete a complexidade das relações entre os EUA e o Irã, com implicações diretas para a segurança e o comércio global, dado que o estreito é uma rota vital para o transporte de petróleo.
Do ponto de vista estratégico, a insistência dos EUA em afirmar controle sobre o Estreito de Hormuz, apesar da incapacidade prática de exercer tal domínio, evidencia um esforço para manter influência na região do Golfo Pérsico. Por outro lado, a resistência iraniana e a redução do tráfego marítimo indicam uma mudança no equilíbrio de poder e um aumento dos riscos para o comércio internacional de energia.
Nos próximos meses, a situação pode se agravar se as tensões militares forem retomadas ou se as sanções econômicas forem intensificadas. A estabilidade do Estreito de Hormuz continuará sendo um ponto sensível para a segurança energética global e para as relações diplomáticas entre as potências envolvidas.