O Irã manifestou apoio à postura da China diante das ameaças dos Estados Unidos de impor sanções secundárias a países que mantêm relações comerciais com a República Islâmica. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, destacou a importância da parceria estratégica entre Teerã e Pequim, afirmando que essa aliança não depende de autorização externa.
Ghalibaf ressaltou que a cooperação entre os dois países está fundamentada no respeito mútuo, na busca por benefícios recíprocos e na visão compartilhada de um mundo multipolar. Ele qualificou a declaração chinesa contra as sanções como uma posição firme e fundamentada em princípios.
Na semana anterior, o Ministério das Relações Exteriores da China rejeitou veementemente as ameaças americanas, classificando as sanções como ilegais e sem respaldo no direito internacional ou no Conselho de Segurança da ONU. Pequim enfatizou que sua cooperação com o Irã está em conformidade com as normas internacionais e alertou que tomará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses.
Os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de sanções econômicas contra o Irã, visando isolar ainda mais o país do sistema financeiro global. As medidas envolveram cerca de 60 indivíduos, entidades e embarcações, com foco em empresas da China continental e Hong Kong. Apesar disso, grandes instituições financeiras chinesas não foram diretamente sancionadas.
A China tem sido o maior comprador de petróleo iraniano há anos, embora o volume tenha sido reduzido significativamente após o bloqueio dos portos iranianos imposto pelos EUA em julho. Essa pressão econômica ocorre em meio a um contexto de conflito indireto entre Estados Unidos e Irã, que começou em fevereiro e teve enfrentamentos militares intensos, embora atualmente haja um cessar-fogo temporário.
O Irã condena as sanções ampliadas como violações do direito internacional e acusa Washington de interferir na soberania de outros países ao tentar coagi-los a romper relações econômicas com Teerã.
A resistência da China às sanções americanas demonstra a complexidade das relações internacionais envolvendo grandes potências e países sancionados. Essa postura pode fortalecer a cooperação entre Irã e China, consolidando um eixo estratégico que desafia a influência dos EUA na região e no comércio global.
A continuidade das sanções americanas e a resposta chinesa indicam que a disputa econômica e diplomática deve persistir nos próximos meses. O Irã, por sua vez, buscará manter e expandir suas parcerias comerciais, especialmente com países que rejeitam a pressão dos EUA, enquanto Washington tenta limitar o acesso iraniano aos mercados internacionais.
Esse cenário sugere uma intensificação das disputas geopolíticas envolvendo Estados Unidos, China e Irã, com impactos diretos no comércio de energia e nas dinâmicas de poder no Oriente Médio e na Ásia. A capacidade do Irã de resistir às sanções dependerá em grande parte do apoio de aliados estratégicos como a China, que tem interesses econômicos e políticos significativos na região.