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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã executa dois manifestantes em praça pública por ataques a policiais

Irã executou dois manifestantes em praça pública acusados de ataques a policiais durante protestos antigovernamentais em janeiro, ampliando a repressão interna.

Irã executa dois manifestantes em praça pública por ataques a policiais

O Irã realizou a execução de dois homens acusados de envolvimento em protestos antigovernamentais que ocorreram no início deste ano. A sentença de morte foi cumprida publicamente em uma praça da cidade de Malekshahr, na província central de Isfahan, conforme divulgado pelo sistema judiciário iraniano. Os condenados, Abolfazl Sepahi e Amir-Hossein Safari, foram acusados de crimes graves relacionados aos protestos que ganharam força em janeiro.

De acordo com as autoridades, os dois homens foram condenados por ataques contra policiais, incluindo o uso de facões e facas para agredir os agentes. Eles teriam amarrado os policiais em placas de sinalização, arrastado pelo chão, e ateado fogo neles após derramar gasolina. Essas ações foram qualificadas como "moharebeh", termo islâmico que significa "guerra contra Deus", além de corrupção na terra, por perturbar gravemente a ordem pública e a segurança nacional.

Os protestos começaram em dezembro como uma reação ao aumento do custo de vida e rapidamente se transformaram em manifestações amplas contra o governo. Em 8 e 9 de janeiro, os protestos atingiram seu ápice, com confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança. O governo iraniano atribuiu mais de 3.000 mortes a atos terroristas supostamente orquestrados por Estados Unidos e Israel, enquanto organizações de direitos humanos internacionais contestam esses números, apontando para um número maior de vítimas devido à repressão das forças de segurança.

Desde o início dos protestos e do conflito regional, as autoridades iranianas intensificaram prisões e execuções, buscando conter a dissidência interna e manter o controle. Em julho, outras duas pessoas foram executadas sob acusações semelhantes na mesma província. O Irã é conhecido por ser o segundo país com maior número de execuções no mundo, atrás apenas da China.

O contexto internacional também é marcado por tensões crescentes. Em fevereiro, Estados Unidos e Israel realizaram ataques conjuntos contra instalações militares e nucleares iranianas, com o objetivo declarado de enfraquecer as capacidades do país e pressionar por mudanças políticas. A escalada do conflito regional tem impactado a estabilidade e a segurança no Oriente Médio.

A decisão de realizar execuções públicas pode ser interpretada como uma tentativa do governo iraniano de demonstrar força diante dos protestos e da pressão externa. No entanto, essa medida também pode gerar reações negativas na comunidade internacional e aumentar a percepção de repressão severa dentro do país.

Em termos estratégicos, a continuidade das execuções e da repressão interna pode aprofundar o isolamento do Irã, dificultando negociações diplomáticas e ampliando o conflito regional. Por outro lado, a demonstração de rigor pode servir para dissuadir novos protestos no curto prazo, embora o descontentamento social permaneça uma fonte potencial de instabilidade.

Os próximos passos provavelmente envolverão maior monitoramento internacional sobre os direitos humanos no Irã, além de possíveis sanções ou pressões diplomáticas. Internamente, o governo deve continuar a equilibrar a repressão com tentativas de controle social para evitar a escalada dos protestos, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos do conflito e suas repercussões geopolíticas.