O Irã anunciou o fechamento indefinido do Estreito de Hormuz para todo o tráfego marítimo, em resposta às recentes ações militares dos Estados Unidos na região. A decisão foi comunicada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) após uma terceira série de ataques americanos contra alvos iranianos em uma mesma semana. O estreito, que é uma rota vital para cerca de 20% do comércio mundial de petróleo bruto, havia sido mantido aberto como parte de um memorando de entendimento (MoU) assinado em 17 de junho entre as partes, com o objetivo de prolongar o cessar-fogo e possibilitar negociações para um acordo final no conflito.
Mohammad Ghalibaf, principal negociador do Irã e presidente do Parlamento iraniano, alertou os Estados Unidos em uma publicação na rede social X, afirmando que a era dos acordos unilaterais chegou ao fim. Ele destacou que o Irã não permitirá que os EUA descumpram o memorando sem consequências, e que o país está preparado para responder a qualquer violação. Ghalibaf ressaltou que o Irã tinha se comprometido a garantir a passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Hormuz, conforme previsto no acordo, mas que os recentes ataques americanos comprometem esse compromisso.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) justificou suas ações afirmando que o Irã atacou de forma direta o navio porta-contêineres GFS Galaxy, registrado em Chipre, na área do estreito. O IRGC, por sua vez, afirmou que seus ataques a embarcações comerciais ocorrem porque essas utilizam uma rota marítima próxima à costa de Omã, designada unilateralmente pelos EUA, e não a rota estabelecida pelo Irã.
Como retaliação aos ataques americanos, o Irã lançou ofensivas com drones e mísseis contra instalações militares dos EUA em países da região, incluindo Jordânia, Kuwait, Bahrein e Omã. Entre os alvos atingidos estavam um centro de comando e hangares de drones MQ-9 Reaper na base aérea Prince Hassan, na Jordânia, além de uma instalação de reabastecimento para porta-aviões americanos no porto de Duqm, em Omã.
O IRGC advertiu que qualquer continuação das ações agressivas por parte dos Estados Unidos resultará em respostas ainda mais contundentes. O clima de tensão elevado entre as duas nações indica que o Estreito de Hormuz, uma passagem estratégica para o comércio global de energia, permanece em situação crítica.
Este episódio evidencia a fragilidade dos acordos diplomáticos na região e o risco crescente de escalada militar. O fechamento do estreito pode impactar significativamente os mercados globais de petróleo, elevando os preços e afetando a segurança energética mundial. A continuidade das hostilidades pode levar a um aumento da presença militar internacional no Golfo Pérsico, com potenciais consequências para a estabilidade regional.
Nos próximos passos, a comunidade internacional deverá acompanhar atentamente as negociações entre Irã e Estados Unidos, bem como as respostas de aliados regionais e globais. A manutenção do diálogo e a busca por soluções diplomáticas serão cruciais para evitar um conflito mais amplo e preservar o fluxo seguro do comércio marítimo no Estreito de Hormuz.