As autoridades iranianas determinaram o fechamento de uma conhecida rede de cafeterias em Teerã, após considerarem que os desenhos estampados nos copos descartáveis faziam referência à morte do ex-líder supremo Ali Khamenei. A decisão foi comunicada no sábado, sem muitos detalhes oficiais, mas veículos de mídia persas no exterior indicaram que o motivo estaria relacionado a uma imagem controversa exibida nos copos da cadeia Lamiz, que mostrava uma cadeira vazia. Essa imagem foi interpretada pelas autoridades como uma alusão à suposta morte de Khamenei e à ausência pública do seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, desde que assumiu o cargo.
De acordo com relatos, as filiais da Lamiz localizadas em Teerã foram fechadas e lacradas por ordem do judiciário iraniano. As agências de notícias Tasnim e Mehr informaram que a cafeteria teria produzido desenhos considerados 'suspeitos' em seus produtos nos últimos dias, referindo-se a Khamenei, que governou o Irã desde 1989.
Por sua vez, a rede de cafés divulgou uma nota em suas redes sociais, que também foram posteriormente desativadas, afirmando que os copos com o desenho da cadeira vazia foram criados meses antes para celebrar o Nowruz, o Ano Novo iraniano, comemorado em março. A empresa negou qualquer relação política, ressaltando que o processo de produção, desde a aprovação do design até a impressão, foi concluído antes dos eventos recentes que geraram a controvérsia.
Imagens divulgadas por veículos de mídia fora do Irã mostraram os copos decorados com uma cadeira colorida cercada por gotas multicoloridas, baseadas em uma pintura de 1975 do renomado artista iraniano Farshid Mesghali. Essa obra foi interpretada por setores conservadores como uma zombaria à cadeira vazia deixada pelo falecimento do líder supremo.
A Lamiz possui mais de 20 unidades em Teerã e outras filiais em cidades fora da capital, mas até o momento apenas as localizadas na capital foram afetadas pela medida. Nos últimos anos, a cultura dos cafés em Teerã e outras grandes cidades iranianas cresceu significativamente, transformando esses locais em pontos de encontro social e centros artísticos.
No entanto, esses estabelecimentos já enfrentaram restrições por parte das autoridades, seja por supostamente não cumprirem as normas islâmicas de vestimenta para mulheres, seja em períodos de instabilidade política, como durante os protestos contra o regime clerical em janeiro de 2026.
A ação contra a Lamiz ocorre em um contexto de tensões internas e externas para o Irã, especialmente diante do conflito em curso com os Estados Unidos e Israel, que inclui uma guerra iniciada recentemente. A repressão a símbolos e manifestações consideradas críticas ao regime é uma prática comum para manter o controle social e político.
Do ponto de vista estratégico, o fechamento da rede de cafés pode ser interpretado como uma tentativa do governo iraniano de controlar narrativas e evitar qualquer forma de dissidência ou questionamento público, especialmente em espaços culturais e sociais que atraem jovens e intelectuais. A repressão a símbolos artísticos, mesmo que não intencionais, demonstra a sensibilidade do regime a potenciais sinais de descontentamento.
A continuidade dessas medidas pode levar a um aumento da tensão social interna, com possíveis reações da população que vê nesses locais espaços de liberdade e expressão cultural. Internacionalmente, o episódio reforça a imagem de um governo que busca controlar rigidamente a sociedade, o que pode influenciar as relações diplomáticas e a percepção externa sobre o Irã em um momento delicado de conflito regional.