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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã inicia cerimônias públicas de luto pelo aiatolá morto em ataque dos EUA e Israel

Irã inicia cerimônias públicas de luto pelo aiatolá Ali Khamenei, morto em ataques dos EUA e Israel, com eventos em Teerã, Iraque e Mashhad.

Irã inicia cerimônias públicas de luto pelo aiatolá morto em ataque dos EUA e Israel

O Irã deu início a uma série de cerimônias públicas de luto e procissões fúnebres em homenagem ao seu ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em fevereiro durante ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel. O corpo do aiatolá será exposto na Grande Mosalla de Teerã a partir de sexta-feira, antes de ser enterrado em sua cidade natal, Mashhad, na próxima quinta-feira.

As autoridades iranianas estimam que entre 12 e 20 milhões de pessoas participarão das homenagens, classificando o evento como o "funeral do século". A mobilização ocorre em um momento delicado, quando o Irã e os Estados Unidos mantêm um cessar-fogo frágil após firmarem um acordo preliminar para interromper o conflito em junho.

As cerimônias terão início às 6h do sábado no Imam Khomeini Mosalla, em Teerã, onde o público poderá prestar suas condolências até a tarde de domingo. No sábado, haverá uma cerimônia oficial conduzida pelo Corpo Mohammad Rasulullah, sediado na capital. Hassan Hassanzadeh, comandante do grupo, informou que o caixão de Khamenei será colocado em uma plataforma elevada, com controle do fluxo de visitantes para permitir entradas e saídas a cada 15 a 20 minutos.

O corpo do aiatolá permanecerá na Grande Mosalla por três dias, acompanhado dos restos mortais de membros da família que também faleceram nos ataques de fevereiro. Entre eles está sua neta de um ano, Zahra Mohammadi Golpayegani.

Para facilitar a participação popular, o governo ordenou o fechamento de repartições públicas e privadas em Teerã de sábado a segunda-feira, além de impor restrições de tráfego que fecharão o centro da cidade para veículos particulares. O espaço aéreo sobre Teerã será parcialmente fechado a partir de sexta-feira e totalmente interditado na segunda-feira.

Na terça-feira, as cerimônias se deslocarão para Qom, ao sul da capital, onde um clérigo xiita de alta hierarquia conduzirá as orações fúnebres no santuário de Jamkaran, um dos locais religiosos mais importantes do Irã.

Na quarta-feira, o corpo seguirá para Najaf, no Iraque, onde haverá uma procissão no santuário do Imam Ali, figura central do islamismo xiita. As homenagens continuarão em Karbala antes do retorno ao Irã. Autoridades iranianas afirmam que os eventos no Iraque foram solicitados por grupos locais e refletem a influência de Khamenei no mundo xiita, além dos laços religiosos e políticos do Irã na região.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, visitou Bagdá para coordenar os preparativos, destacando a importância simbólica do funeral.

Na quinta-feira, o enterro será realizado em Mashhad, na tumba do Imam Reza, o oitavo imã xiita e local de peregrinação mais significativo do país, que atrai milhões de visitantes anualmente. Espera-se a presença de representantes de diversos países, incluindo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.

As cerimônias de luto continuarão em todo o Irã por 40 dias, com eventos comemorativos planejados até o primeiro aniversário do sepultamento de Khamenei.

Após a morte do aiatolá, seu filho Mojtaba assumiu como líder supremo, embora não tenha sido visto em público desde então. Uma das dúvidas centrais é se Mojtaba participará das cerimônias fúnebres. O secretário do comitê organizador, Ali Akbar Pourjamshidian, afirmou que a decisão sobre a presença do novo líder será divulgada pelos escritórios do comandante das forças armadas e do próprio líder supremo.

Outro ponto de incerteza é quem conduzirá a oração fúnebre, uma função que, na tradição xiita, possui grande significado religioso e político.

A realização dessas cerimônias em múltiplas localidades, incluindo o Iraque, evidencia o papel de Khamenei como uma figura de influência não apenas nacional, mas regional, especialmente entre as comunidades xiitas. O evento também reforça a importância do líder supremo na estrutura política e religiosa do Irã, além de destacar as relações transfronteiriças do país com grupos e governos aliados.

Do ponto de vista estratégico, a mobilização massiva e a exposição pública do corpo de Khamenei podem fortalecer a coesão interna do regime iraniano, demonstrando resiliência e continuidade apesar da perda do líder. A participação de representantes internacionais, como o primeiro-ministro paquistanês, indica o interesse regional em manter relações diplomáticas e religiosas com Teerã, mesmo em um contexto de tensões com os Estados Unidos.

Nos próximos meses, a forma como Mojtaba Khamenei assumirá seu papel público e político será crucial para a estabilidade do país. A condução das cerimônias e a resposta da população podem servir como indicativos da aceitação do novo líder e da capacidade do regime de manter sua influência interna e externa em um cenário geopolítico complexo.