Um complexo subterrâneo localizado próximo à instalação nuclear de Natanz, no Irã, tem chamado atenção internacional devido à sua possível ligação com o programa nuclear iraniano. Conhecido localmente como Pickaxe Mountain, o local permanece envolto em mistério e é considerado um ponto estratégico na estrutura nuclear do país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou recentemente a possibilidade de um ataque militar contra essa instalação, sugerindo que o local poderia abrigar centrífugas de urânio. Ele afirmou que uma ação contra o complexo poderia ocorrer em breve e que as autoridades iranianas estariam limitadas em sua capacidade de resposta.
O governo iraniano, por sua vez, advertiu que qualquer ataque a suas instalações nucleares poderia levar a uma escalada do conflito na região. Até o momento, o Irã não divulgou informações detalhadas sobre o complexo subterrâneo, que está situado na província de Isfahan, a cerca de dois quilômetros da planta de enriquecimento de urânio em Natanz.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nunca teve acesso ao interior do local, e grande parte do conhecimento sobre o complexo deriva de imagens de satélite e análises de inteligência. Desde 2020, imagens comerciais indicam uma construção contínua, com novos túneis, estradas de acesso e estruturas de segurança, além de grande movimentação de material escavado.
O ritmo da construção aumentou após uma explosão em julho de 2020, que danificou a oficina de montagem de centrífugas avançadas em Natanz, evento que as autoridades iranianas classificaram como sabotagem. Posteriormente, o governo iraniano anunciou a criação de uma nova instalação subterrânea para montagem de centrífugas, que seria maior, mais avançada e mais protegida que a anterior.
Estima-se que partes do complexo estejam localizadas entre 80 e 100 metros abaixo da superfície, o que o tornaria mais profundo e resistente a ataques aéreos do que outras instalações nucleares conhecidas no país. A AIEA não conseguiu verificar se o local contém material nuclear, centrífugas ou equipamentos sensíveis.
Relatórios indicam que, após uma campanha de bombardeios realizada pelos EUA e Israel em junho de 2025, o Irã pode ter transferido milhares de componentes de centrífugas para Pickaxe Mountain. Embora não haja confirmação oficial, acredita-se que o local possa futuramente suportar a produção ou montagem de centrífugas avançadas, caso o Irã decida expandir suas capacidades nucleares.
O Irã justifica a construção de instalações subterrâneas como medida de proteção contra sabotagens e ataques militares, mantendo que seu programa nuclear tem fins pacíficos. No entanto, análises internacionais indicam que o país possui urânio enriquecido a níveis próximos aos necessários para armamentos, o que gera preocupação global.
Especialistas apontam que a importância estratégica de Pickaxe Mountain reside em sua resistência a bombas do tipo bunker-buster, projetadas para penetrar o solo antes da detonação. A profundidade e o layout exato do complexo permanecem desconhecidos, dificultando avaliações sobre a eficácia de eventuais ataques.
Em caso de ofensiva, o objetivo militar pode não ser a destruição completa do complexo, mas sim a obstrução de entradas, danos a rotas de acesso ou a infraestrutura de apoio, tornando sua operação inviável. A localização e o sigilo do complexo fazem dele um dos pontos mais monitorados do programa nuclear iraniano.
A continuidade das obras e o sigilo em torno do complexo indicam que Pickaxe Mountain continuará sendo um foco de atenção internacional. A possibilidade de ataques e as respostas do Irã podem influenciar a estabilidade regional e as negociações sobre o programa nuclear.
Do ponto de vista estratégico, a existência de um complexo tão protegido reforça a resiliência do programa nuclear iraniano diante de pressões externas. Para os EUA e seus aliados, qualquer ação militar requer planejamento cuidadoso para minimizar riscos e maximizar impactos, considerando a profundidade e a proteção do local.
No cenário futuro, a vigilância internacional e a diplomacia continuarão desempenhando papéis cruciais para evitar uma escalada militar. A transparência e o acesso às inspeções podem ser elementos decisivos para a redução das tensões e para o controle do avanço das atividades nucleares no Irã.