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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã nega início de novas negociações com EUA após declaração de Trump

Irã nega que novas negociações com os EUA começarão na segunda-feira, após Trump anunciar cancelamento de ataques militares e possível acordo.

Irã nega início de novas negociações com EUA após declaração de Trump

O governo do Irã negou a afirmação feita pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que novas negociações para encerrar o conflito entre os dois países começariam na segunda-feira. Trump havia anunciado o cancelamento de ataques militares que seriam "massivos" contra o Irã, afirmando que as negociações seriam retomadas no dia seguinte. Durante uma declaração a bordo do Air Force One, Trump afirmou que o Irã estava ciente da operação planejada, pois teria visto sua preparação, e que as conversas começariam na tarde de segunda-feira. Além disso, ele mencionou que foi solicitado pelo Irã e aliados dos EUA no Oriente Médio para adiar os ataques, já que os termos de um acordo estavam sendo definidos.

Porém, o Ministério das Relações Exteriores do Irã desmentiu qualquer negociação direta com os Estados Unidos ou planos para iniciar tais conversações. O porta-voz Esmaeil Baghaei esclareceu que Teerã está em diálogo com Omã para estabelecer um acordo que garanta a segurança da passagem marítima pelo Estreito de Hormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.

Historicamente, as negociações entre os EUA e o Irã têm ocorrido por meio de mediadores, e Trump tem reiterado que o fim negociado do conflito está próximo, apesar da retomada dos ataques de retaliação entre as partes. No entanto, ele não detalhou onde as conversas ocorreriam nem quem participaria delas. O ex-presidente também destacou que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, junto com parceiros dos EUA como Emirados Árabes Unidos e Catar, o aconselharam a evitar os ataques planejados no fim de semana.

Após o anúncio de Trump, os preços globais do petróleo caíram durante as negociações na Ásia. O Brent Crude recuou 4,5%, cotado a US$ 83,98, enquanto o petróleo negociado nos EUA caiu 4,6%, para US$ 80,74. Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, os preços da energia têm oscilado em resposta às interrupções no tráfego pelo Estreito de Hormuz, que normalmente é responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito.

Dados de monitoramento de embarcações indicam uma redução de aproximadamente 28% no tráfego comercial pelo Estreito de Hormuz entre 30 de julho e 2 de agosto, em comparação com os quatro dias anteriores. A agência de notícias semi-oficial Mehr, ligada ao Irã, desmentiu que Teerã tenha pedido aos EUA para adiar ações militares, classificando as declarações de Trump como "mentiras".

Trump afirmou que os ataques cancelados seriam os maiores desde a Segunda Guerra Mundial e poderiam comprometer as chances de um acordo para encerrar o conflito. Ele evitou confirmar se os alvos incluiriam infraestruturas energéticas iranianas, cuja destruição poderia ser considerada crime de guerra segundo especialistas em direito internacional.

O ministro interino da Defesa do Irã, Majid Ibn al-Reza, declarou que o país encara todas as ameaças como reais e credíveis, mesmo quando fazem parte de guerra psicológica, e que não será pego de surpresa nem permanecerá passivo diante de possíveis ataques.

Ao longo do conflito, Trump alternou entre ameaças severas contra o Irã e tentativas de diálogo diplomático. Em um post recente, ele afirmou que os EUA estavam "prontos para agir" com força militar sem precedentes, mas cancelou a ofensiva em benefício da estabilidade global e da sobrevivência de um Irã próspero.

Em abril, Trump chegou a advertir que "uma civilização inteira morreria" caso o Irã não aceitasse negociar, o que levou a encontros históricos no Paquistão, liderados pelo vice-presidente JD Vance, embora sem resultados concretos. A administração Trump também minimizou pesquisas que indicam insatisfação popular nos EUA com a condução da guerra, inclusive entre eleitores republicanos, o que tem gerado preocupação entre estrategistas conservadores antes das eleições legislativas de novembro.

A situação atual mantém o equilíbrio delicado entre a ameaça de escalada militar e a busca por uma solução diplomática. A negação iraniana sobre negociações diretas com os EUA sugere que, apesar das declarações públicas, o diálogo permanece limitado e mediado por terceiros. O controle do Estreito de Hormuz continua sendo um ponto crítico, dada sua importância para o comércio global de energia.

No cenário estratégico, a continuidade das tensões pode manter a volatilidade nos preços do petróleo e afetar a segurança das rotas marítimas essenciais. A pressão internacional para evitar um conflito aberto pode incentivar negociações indiretas, mas a falta de clareza sobre interlocutores e locais das conversas indica que um acordo definitivo ainda está distante. O monitoramento das movimentações militares e diplomáticas nas próximas semanas será fundamental para avaliar se haverá avanços ou nova escalada no conflito entre Irã e EUA.