O governo iraniano organizou eventos públicos em várias cidades do país para os próximos dias, com o objetivo de reforçar o controle de segurança e enviar mensagens de resistência aos líderes dos Estados Unidos e de Israel, no contexto da terceira semana do conflito em curso. A data escolhida coincide com o último dia do calendário iraniano, que tradicionalmente é marcado pelo festival Chaharshanbe Suri, uma celebração milenar que simboliza a vitória da luz sobre as trevas e a chegada do Nowruz, o Ano Novo persa.
Este ano, as autoridades emitiram advertências proibindo o uso de fogos de artifício e explosivos durante as festividades, alegando que esses materiais poderiam ser usados por agentes inimigos para espionagem ou incitação a distúrbios. Em contrapartida, a televisão estatal incentivou a população a transformar o festival em uma manifestação simbólica, queimando efígies do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou que continuará a realizar ataques com mísseis balísticos e drones contra países da região, em resposta aos bombardeios realizados por EUA e Israel em Teerã e outras cidades iranianas. Recentemente, o IRGC divulgou imagens do lançamento do míssil balístico de longo alcance Sejjil, que possui alcance superior a 2.000 km, marcando sua primeira utilização no conflito atual. Além disso, o grupo prometeu perseguir e eliminar Netanyahu.
Teerã descartou qualquer possibilidade de negociações com Washington, exigindo reparações e garantias contra futuros ataques para considerar o fim das hostilidades. Em meio a esse cenário, um mural gigante foi inaugurado na Praça Valiasr, no centro da capital, exibindo mísseis balísticos iranianos acompanhados da frase "Até que o mundo encontre descanso".
A vida cotidiana na capital apresenta uma redução significativa no movimento habitual, com algumas lojas funcionando em horários limitados. A segurança é reforçada especialmente à noite, com patrulhas constantes das forças paramilitares Basij, ligadas ao IRGC. Grupos pró-governo atendem a convocatórias para se reunir em mesquitas e praças principais, entoando slogans religiosos e políticos.
Moradores relataram a presença de comboios motorizados noturnos organizados por apoiadores do regime, que percorrem bairros diversos com pessoas acenando com luzes de celulares e cantando slogans por meio de alto-falantes. A circulação nas ruas está restrita, com múltiplos pontos de controle e bloqueios, onde veículos e pessoas são revistados. Esses postos são frequentemente guarnecidos por homens armados, alguns aparentando ser jovens.
O exército israelense intensificou o uso de drones de vigilância e ataque para monitorar e atacar pontos estratégicos em Teerã, resultando na morte de vários comandantes locais do Basij. Em resposta, as forças iranianas adotaram táticas de mobilidade constante e estabeleceram postos de controle em locais menos expostos, como túneis e sob pontes.
A agência de notícias vinculada ao IRGC divulgou imagens de cidadãos se inscrevendo para atuar em patrulhas e postos de controle do Basij, enquanto a mídia estatal exibe fotos de mulheres jovens vestidas com trajes tradicionais negros, usando máscaras e portando armas de assalto, simbolizando o envolvimento da população na defesa do regime.
O comandante sênior do Basij, Mohammad Zahraei, confirmou o recrutamento intensificado para reforçar as operações de segurança durante o conflito. Líderes políticos e militares têm enfatizado a importância da presença nas ruas para manter a ordem e combater manifestações contrárias ao governo.
As autoridades iranianas emitiram alertas sobre o uso da força letal contra manifestações públicas contrárias ao regime, advertindo que os detidos poderão enfrentar punições severas, incluindo execuções e confisco de bens. O diretor de inteligência do IRGC declarou que o governo está preparado para responder com rigor a qualquer tentativa de gerar medo ou caos nas ruas, referindo-se a protestos anteriores que resultaram em milhares de mortes e foram atribuídos pelo regime a grupos terroristas apoiados por EUA e Israel.
Organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas e entidades de direitos humanos, condenam as ações das forças iranianas durante esses protestos e solicitam a libertação dos milhares de presos políticos. As autoridades continuam a realizar prisões relacionadas ao conflito, acusando indivíduos de enviar informações e vídeos sobre pontos estratégicos para veículos de mídia considerados terroristas.
O acesso à internet permanece praticamente bloqueado desde o início da guerra, há mais de duas semanas, com a população dependendo principalmente de transmissões via satélite, que também enfrentam interferências. Recentemente, um provedor estatal que oferecia serviços limitados a usuários selecionados foi desativado sem explicações.
A continuidade das hostilidades e o endurecimento das medidas internas indicam que o governo iraniano aposta na mobilização popular e no fortalecimento das forças paramilitares para resistir às pressões externas. A queima simbólica das efígies de Trump e Netanyahu representa uma tentativa de reforçar a narrativa de resistência e unidade nacional diante do conflito.
Analisando o contexto, a estratégia iraniana de intensificar ações militares regionais e fortalecer o controle interno visa prolongar sua capacidade de resistência, dificultando negociações e mantendo a pressão sobre adversários externos. A repressão interna e o controle rigoroso da informação indicam que o regime busca evitar o surgimento de dissidências que possam enfraquecer sua posição.
No cenário futuro, a escalada militar e a ausência de diálogo podem levar a um aumento das tensões regionais e a uma maior instabilidade interna no Irã. A comunidade internacional enfrenta o desafio de equilibrar pressões diplomáticas e humanitárias para evitar uma escalada ainda maior do conflito, enquanto o governo iraniano mantém uma postura firme e intransigente.