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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã propõe transferir estoque de urânio enriquecido para Rússia em negociação com EUA

Irã propõe transferir seu estoque de urânio enriquecido para a Rússia como parte de negociação com os EUA, mas Washington rejeita a oferta por considerá-la insuficiente.

Irã propõe transferir estoque de urânio enriquecido para Rússia em negociação com EUA

O Irã apresentou uma proposta para transferir seu estoque de urânio altamente enriquecido para a Rússia, como parte de uma iniciativa de paz enviada aos Estados Unidos por meio do Paquistão. A informação foi divulgada por um canal de notícias saudita, que teve acesso a um documento confidencial. Essa oferta surge em meio a negociações indiretas mediadas por Islamabad, que estão paralisadas desde o início de abril, após um cessar-fogo que encerrou um mês de confrontos iniciados no final de fevereiro por ações dos EUA e Israel contra o Irã.

De acordo com a proposta, o Irã estaria disposto a congelar seu programa nuclear por um período prolongado, desde que o urânio enriquecido, atualmente sob seu controle, seja transferido para a Rússia, em vez dos Estados Unidos. O país persa mantém cerca de 400 kg de urânio enriquecido a 60%, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), embora o nível para uso em armas nucleares seja geralmente superior a 90%.

O presidente russo Vladimir Putin afirmou que Moscou já ofereceu ajuda para resolver a questão, incluindo a retirada do estoque iraniano de urânio enriquecido. Ele lembrou que essa cooperação já ocorreu em 2015 e que o Irã confia na Rússia para esse tipo de acordo. Putin destacou que a Rússia não violou seus compromissos e continua colaborando com o Irã em seu programa nuclear civil.

Por outro lado, os Estados Unidos rejeitaram a última proposta do Irã, considerando-a insuficiente. Um representante americano afirmou que as mudanças feitas por Teerã foram apenas simbólicas em relação à versão anterior do acordo. O ex-presidente Donald Trump, em declarações recentes, afirmou que a transferência do urânio para os EUA teria mais valor simbólico do que prático, servindo para melhorar a percepção pública sobre o controle do material.

As negociações entre Irã e EUA, intermediadas pelo Paquistão, refletem a complexidade das relações internacionais envolvendo o programa nuclear iraniano. Desde o início dos confrontos, ambas as partes têm apresentado propostas para encerrar o conflito, mas as divergências permanecem, especialmente quanto à supervisão e controle do material nuclear.

A transferência do urânio para a Rússia, se concretizada, poderia representar um avanço na contenção do programa nuclear iraniano, reduzindo tensões com os Estados Unidos e seus aliados. No entanto, a rejeição americana indica que ainda há obstáculos significativos para um acordo definitivo. A posição russa como intermediária confiável para o Irã pode fortalecer sua influência regional e global, enquanto os EUA buscam garantir que qualquer solução preserve seus interesses estratégicos.

Em termos estratégicos, a proposta iraniana pode ser vista como uma tentativa de encontrar um meio-termo que evite o colapso das negociações e mantenha o programa nuclear sob algum nível de controle internacional. A Rússia, ao se posicionar como guardiã do estoque de urânio, amplia seu papel diplomático e fortalece laços com o Irã, o que pode alterar o equilíbrio de poder no Oriente Médio.

Para os próximos meses, é provável que as negociações continuem com dificuldades, especialmente se os EUA mantiverem a exigência de receber o urânio diretamente. A persistência do impasse pode levar a uma escalada das tensões, enquanto a cooperação entre Rússia e Irã pode se aprofundar, influenciando as dinâmicas regionais e globais relacionadas à segurança nuclear e à estabilidade política no Oriente Médio.