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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã realiza grande funeral de Ali Khamenei com multidão nas ruas de Teerã

Milhares participam do funeral do líder supremo Ali Khamenei em Teerã, em meio a tensões com EUA e Israel e negociações para encerrar conflito.

Irã realiza grande funeral de Ali Khamenei com multidão nas ruas de Teerã

Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Teerã para acompanhar o funeral do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia do conflito com os Estados Unidos e Israel. Imagens transmitidas pela televisão estatal iraniana mostraram uma enorme multidão reunida para assistir ao transporte do caixão coberto pela bandeira nacional, que percorreu cerca de 10 quilômetros pela capital, passando pela emblemática Praça Enghelab.

O corpo de Khamenei permaneceu em exibição pública por dois dias na Grande Mesquita Mosalla, localizada em Teerã. Durante esse período, três de seus filhos realizaram orações ao lado do caixão, embora Mojtaba Khamenei, que assumiu o posto de líder supremo, não tenha comparecido. Ele não foi visto em público desde que teria sido gravemente ferido no mesmo ataque aéreo israelense que matou seu pai e sua esposa, ocorrido em 28 de fevereiro.

O cortejo fúnebre avançou lentamente pela região central da capital, partindo da Praça Imam Hossein, no leste, até a Praça Azadi, no oeste, encerrando os três dias oficiais de luto em Teerã. De acordo com a mídia estatal, milhões de pessoas ocuparam as principais avenidas que conectam as duas praças, aglomerando-se ao redor do caminhão preto que carregava o caixão do líder e de quatro membros da família.

Entre os presentes, muitos agitavam bandeiras iranianas e faixas vermelhas que simbolizam o desejo de vingança. Cartazes com mensagens como "Devemos nos levantar" e chamadas para a morte do então presidente dos EUA, Donald Trump, também foram vistos. Trump, junto com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, foi apontado como responsável pela ordem do ataque conjunto contra o Irã que desencadeou o conflito, resultando em milhares de mortes.

Manifestantes foram filmados atirando pedras em um outdoor com a imagem de Trump, pendurado em uma ponte, com a inscrição "Os EUA mataram nosso pai. Não vamos deixar passar". Melika Nourian, estudante universitária de 22 anos, declarou que participou do evento para demonstrar ao mundo o amor pelo líder e o compromisso com o sistema, o povo e a República Islâmica.

O ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad esteve presente na cerimônia, marcando sua primeira aparição pública significativa desde o início da guerra, quando três de seus seguranças foram mortos em um ataque próximo à sua residência. O atual presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também foi visto caminhando entre os fiéis. Em uma publicação na rede social X, Pezeshkian destacou que Khamenei ensinou que o maior patrimônio do Irã são seu povo e sua unidade, prometendo a continuidade do caminho de honra, progresso e glória do país.

Outros líderes importantes, como o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi, o chefe do judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei e o comandante da Força Quds, Esmail Qaani, também participaram do funeral. No entanto, Mojtaba Khamenei permaneceu ausente, sem aparições públicas ou vídeos desde antes de sua nomeação, comunicando-se principalmente por meio de declarações escritas.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que Ali Khamenei foi "eliminado por Israel" devido às ameaças que representava para a existência do país. Ele acrescentou que qualquer líder iraniano que tentar novamente destruir Israel será igualmente eliminado.

Ali Khamenei, que tinha 86 anos, assumiu como líder supremo em 1989 após a morte do fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini. Durante seu governo, manteve controle rigoroso sobre a política e as forças armadas do Irã, reprimindo desafios internos, muitas vezes com violência. Externamente, adotou posições firmes, especialmente em relação à confrontação com os Estados Unidos e Israel.

As autoridades iranianas buscam que as cerimônias fúnebres transmitam uma imagem de força após o conflito e os protestos em massa que ocorreram em janeiro, quando milhares foram mortos em repressão pelas forças de segurança. O líder das orações de sexta-feira em Qom, aiatolá Mohammad Saidi, declarou que a grande participação popular funcionaria como um referendo para a República Islâmica.

Os rituais acontecem menos de três semanas depois que Irã e Estados Unidos firmaram um acordo preliminar para encerrar a guerra e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, por onde passam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás. Ambos os países estabeleceram um prazo de dois meses para concluir um acordo final que aborde o programa nuclear iraniano, as sanções americanas e um cessar-fogo permanente.

O Catar, mediador das negociações indiretas em Doha, afirmou que houve avanços positivos após quatro dias de troca de ataques, com uma nova rodada de conversas prevista para após as cerimônias fúnebres. Na terça-feira, outro cortejo e orações ocorrerão na cidade de Qom, centro da autoridade clerical xiita do Irã, onde o corpo de Khamenei foi transportado por helicóptero na segunda-feira à noite.

As cerimônias seguirão para as cidades sagradas iraquianas de Karbala e Najaf na quarta-feira e terminarão na quinta-feira, com o sepultamento no santuário do Imam Reza, em Mashhad, cidade natal do líder no nordeste do país.

A morte de Khamenei e as cerimônias subsequentes representam um momento crítico para o Irã, que enfrenta desafios internos e externos. A ausência de Mojtaba Khamenei em público gera dúvidas sobre a estabilidade da sucessão e o futuro da liderança iraniana. Além disso, o contexto de negociações com os Estados Unidos e a reabertura do Estreito de Ormuz indicam que o país busca uma nova fase de relações internacionais, apesar das tensões persistentes com Israel e aliados ocidentais.

A continuidade do regime dependerá da capacidade das autoridades de manter a coesão interna e de avançar nas negociações diplomáticas sem comprometer seus interesses estratégicos. O impacto dessas dinâmicas poderá influenciar a estabilidade regional e os mercados globais de energia, dada a importância do Irã no cenário geopolítico do Oriente Médio.