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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã recebe resposta dos EUA a proposta de paz e Trump avalia possibilidade de ação militar

Irã recebeu resposta dos EUA à sua proposta de paz que exige retirada de tropas e fim do bloqueio; Trump avalia possíveis ações militares na região.

Irã recebe resposta dos EUA a proposta de paz e Trump avalia possibilidade de ação militar

O Irã informou que recebeu uma resposta dos Estados Unidos à sua mais recente proposta de paz, enviada por meio do Paquistão, conforme divulgado por veículos ligados ao governo iraniano. A proposta iraniana, composta por 14 pontos, solicita a retirada das tropas americanas das proximidades das fronteiras iranianas, o fim do bloqueio naval aos portos do país e a cessação de todas as hostilidades, incluindo as ofensivas israelenses no Líbano. O plano também prevê que um acordo entre as duas nações seja alcançado em até 30 dias.

Até o momento, os Estados Unidos não confirmaram oficialmente o recebimento ou a análise da proposta. Em declarações recentes, o presidente Donald Trump afirmou que ainda não examinou o texto detalhadamente, mas indicou que a resposta americana não foi favorável. Trump ressaltou que o Irã ainda não pagou um preço suficiente pelos impactos causados ao longo dos últimos 47 anos.

Durante uma coletiva em Palm Beach, na Flórida, o presidente americano mencionou a possibilidade de retomar ataques militares contra alvos iranianos caso o país adote comportamentos considerados hostis. Trump afirmou que, apesar da possibilidade, a decisão dependerá do desenvolvimento dos próximos eventos. Ele também destacou que as tropas americanas permanecerão na região para evitar a necessidade de futuros retornos militares.

O governo iraniano afirmou que sua proposta foi elaborada em resposta a um plano americano de nove pontos que previa um cessar-fogo de dois meses. Além disso, o Irã restringiu fortemente o tráfego marítimo no Estreito de Hormuz, uma rota estratégica para o transporte global de petróleo, como reação aos ataques realizados pelos EUA e Israel.

Na última sexta-feira, Trump comunicou ao Congresso que o conflito havia sido "encerrado" desde a implementação do cessar-fogo em 8 de abril, embora tenha reconhecido que o Irã continua representando uma ameaça significativa para os militares americanos na região. Ele classificou o bloqueio naval como "amigável" e afirmou que não há resistência a ele.

O presidente também argumentou que não há necessidade de cumprir o prazo legal de 60 dias para obter autorização do Congresso para as operações militares, uma vez que o cessar-fogo teria pausado esse prazo. A legislação americana exige que o presidente obtenha aprovação legislativa dentro de 60 dias após notificar o Congresso sobre ações militares, sob pena de cessar as hostilidades. Essa data limite coincidiu com a última sexta-feira, 60 dias após os ataques americanos iniciados em 28 de fevereiro.

Trump reafirmou que o Irã jamais poderá possuir armas nucleares. O país persa nega a intenção de desenvolver armamento nuclear e afirma que seu programa é exclusivamente para fins pacíficos, embora seja a única nação não nuclear a enriquecer urânio próximo ao nível necessário para armas.

No cenário político americano, cresce a insatisfação entre legisladores, inclusive dentro do Partido Republicano, com a condução do conflito, considerado custoso e com objetivos pouco claros. O senador republicano Josh Hawley, do Missouri, pediu o início da retirada das tropas e destacou a necessidade de aprovação do Congresso para a continuidade da guerra. A senadora Lisa Murkowski, do Alasca, crítica da administração Trump, expressou dúvidas sobre o sucesso das operações e das negociações, alertando para os riscos de um recuo prematuro que poderia deixar intactas as capacidades militares iranianas.

A situação permanece delicada, com o Irã buscando encerrar o conflito por meio de negociações, enquanto os Estados Unidos mantêm postura firme, sem descartar medidas militares. A resposta americana à proposta iraniana e as decisões futuras de Washington terão impacto direto na estabilidade da região e no controle do trânsito no Estreito de Hormuz, vital para o mercado energético mundial.

A continuidade do impasse pode levar a uma escalada das tensões, afetando o comércio global de petróleo e a segurança regional. Por outro lado, um acordo negociado dentro do prazo estipulado poderia abrir caminho para a redução das hostilidades e a normalização das relações entre os dois países. O papel do Congresso americano e a postura dos aliados na região serão determinantes para os próximos passos na crise entre Irã e Estados Unidos.