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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Irã responde proposta de paz dos EUA enquanto Netanyahu afirma que conflito não terminou

O Irã respondeu à proposta de paz dos EUA focando no fim da guerra e segurança no Estreito de Ormuz, enquanto Netanyahu afirma que o conflito continua devido ao urânio enriquecido iraniano.

Irã responde proposta de paz dos EUA enquanto Netanyahu afirma que conflito não terminou

O Irã apresentou sua resposta à mais recente proposta de paz dos Estados Unidos, conforme divulgado por veículos locais, em meio a declarações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmando que a guerra ainda não chegou ao fim. A proposta norte-americana visa encerrar formalmente o conflito e reabrir a passagem estratégica do Estreito de Ormuz, antes de iniciar negociações sobre temas mais delicados, como o programa nuclear iraniano.

Segundo informações da agência de notícias iraniana ISNA, a resposta do Irã está centrada no fim das hostilidades e na segurança marítima na região do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz, sem detalhar outros aspectos do acordo. A entrega da resposta foi feita por mediadores do Paquistão, refletindo a complexidade das negociações e a importância regional do conflito.

Apesar da expectativa inicial de que o Irã responderia até a última sexta-feira, a demora prolongou a tensão, que se intensificou no domingo com relatos de ataques de drones iranianos contra alvos no Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian ressaltou que eventuais diálogos ou negociações não significam rendição, enfatizando a postura firme do país diante das pressões externas.

Em paralelo, o chefe militar iraniano Ali Abdollahi reuniu-se com o líder supremo Mojtaba Khamenei para receber novas orientações visando a continuidade das operações contra os adversários, conforme divulgado pela televisão estatal iraniana.

Em entrevista ao programa "60 Minutes" da CBS, Netanyahu destacou que o conflito persistirá enquanto o Irã mantiver seu estoque de urânio enriquecido, considerado uma ameaça devido ao potencial de uso militar. Ele afirmou que ainda existem locais de enriquecimento que precisam ser desativados, além do apoio iraniano a grupos proxy e o desenvolvimento de mísseis balísticos. Netanyahu sugeriu que a remoção do urânio altamente enriquecido, possivelmente armazenado em instalações subterrâneas em Isfahan, poderia ser realizada fisicamente, com ou sem acordo com Teerã, e indicou que os Estados Unidos apoiam essa operação, embora não tenha detalhado planos militares.

O presidente dos EUA, Donald Trump, por sua vez, afirmou que o Irã foi derrotado militarmente e que o urânio poderia ser removido "quando quisermos", destacando a vigilância rigorosa sobre os locais de armazenamento e a capacidade de resposta rápida a qualquer tentativa de acesso. Trump também mencionou a possibilidade de novos ataques militares para atingir alvos restantes, embora tenha minimizado a necessidade, considerando-os apenas "toques finais".

De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, um nível próximo ao necessário para armamento nuclear, com aproximadamente 200 quilos armazenados em túneis no local de Isfahan. Essa quantidade poderia permitir a fabricação de até dez armas nucleares, caso o país decida militarizar seu programa, apesar das reiteradas declarações iranianas de que seu programa é pacífico.

A situação permanece delicada, com o Irã mantendo uma postura firme e os Estados Unidos e Israel pressionando para desmantelar as capacidades nucleares iranianas. A continuidade do conflito dependerá da evolução das negociações e das ações militares que possam ser adotadas para impedir o avanço do programa nuclear.

Do ponto de vista estratégico, a resposta iraniana focada na segurança marítima e no fim das hostilidades indica uma tentativa de manter o controle sobre uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, o Estreito de Ormuz, vital para o transporte global de petróleo. A insistência de Netanyahu na remoção do urânio enriquecido sinaliza que Israel não aceitará um acordo que permita ao Irã manter capacidades nucleares significativas, o que pode levar a um prolongamento do conflito ou a operações militares direcionadas.

No cenário regional, a escalada dos ataques com drones e a retórica de ambos os lados sugerem que a estabilidade no Golfo Pérsico está ameaçada, podendo impactar o mercado global de energia e a segurança das rotas marítimas. A mediação internacional, especialmente envolvendo países como o Paquistão, será crucial para evitar uma escalada maior e buscar uma solução diplomática que contemple as preocupações de segurança de todas as partes envolvidas.