O exército israelense anunciou a intenção de destruir pontes estratégicas no sul do Líbano, intensificando a ofensiva terrestre que já provoca deslocamentos em massa e aumento da violência na região. Ameaças recentes indicam que as pontes Sohmor e Mashghara, que cruzam o rio Litani no vale do Bekaa Ocidental, serão alvos de bombardeios. Essas estruturas são consideradas vitais para o fluxo de pessoas e mercadorias entre o sul do Líbano e o restante do país.
O porta-voz militar israelense afirmou que as pontes estão sendo utilizadas pelo grupo armado Hezbollah, o que justificaria as operações. Desde o início da ofensiva aérea e terrestre em março, pelo menos seis outras pontes sobre o rio Litani foram destruídas, o que tem causado isolamento progressivo do sul do país.
Especialistas e organizações de direitos humanos condenam a destruição da infraestrutura civil, alertando que a tática pode configurar uma tentativa de isolar regiões inteiras, dificultando o acesso a serviços essenciais como hospitais e centros urbanos importantes, como a cidade de Chtoura.
A ofensiva terrestre israelense, iniciada na última semana, também tem gerado apreensão devido à declaração de líderes israelenses sobre a intenção de demolir dezenas de residências em cidades e vilarejos do sul do Líbano. Essa estratégia pode aprofundar ainda mais o deslocamento da população local e agravar a crise humanitária.
Além das pontes, infraestruturas de água no sul do Líbano foram severamente danificadas por ataques israelenses. A Autoridade de Água do Sul do Líbano informou que instalações em Ibl al-Saqi e al-Maysat sofreram danos significativos, assim como sistemas de energia solar em outras estações. A entidade classificou esses ataques como violações claras das normas internacionais que protegem instituições civis e serviços básicos em tempos de conflito.
Na sexta-feira, ao menos quatro pessoas morreram em ataques israelenses em diferentes regiões do Líbano, incluindo um ataque a fiéis que deixavam uma mesquita na cidade de Sahmar, no vale do Bekaa Ocidental. O conflito, que teve início em 2 de março após disparos de mísseis do Hezbollah contra o norte de Israel, em resposta à guerra conduzida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, já provocou o deslocamento de mais de 1,2 milhão de libaneses.
De acordo com dados do Ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses resultaram em pelo menos 1.345 mortes e mais de 4.000 feridos em todo o país. O aumento da violência também afetou forças internacionais de paz; três militares da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) foram mortos recentemente, e outros três ficaram feridos após uma explosão em uma posição da ONU próxima à vila de al-Adaissah, perto da fronteira entre Israel e Líbano.
A UNIFIL ressaltou a necessidade de todos os envolvidos no conflito garantirem a segurança dos seus soldados, evitando ações militares que possam colocar em risco os peacekeepers. A origem da explosão que atingiu a posição da ONU ainda não foi esclarecida.
A escalada das operações militares israelenses no sul do Líbano, somada à destruição da infraestrutura civil e à crescente crise humanitária, sinaliza um aprofundamento do conflito na região. A possível destruição das pontes Sohmor e Mashghara pode isolar ainda mais o vale do Bekaa Ocidental, dificultando o acesso da população a serviços básicos e aumentando a fragmentação territorial.
Essa estratégia pode ter como objetivo limitar a mobilidade do Hezbollah e enfraquecer sua capacidade logística, mas também acarreta riscos significativos para civis, aumentando o sofrimento da população local e complicando esforços de mediação internacional. O avanço da ofensiva terrestre e a destruição de residências indicam que o conflito pode se prolongar, com impactos diretos na estabilidade do Líbano e na segurança regional.
Nos próximos dias, será crucial observar a resposta do Hezbollah e de outras facções libanesas, bem como as reações da comunidade internacional, que podem influenciar a dinâmica do conflito. A manutenção da segurança dos peacekeepers da ONU também permanece como um desafio importante para evitar uma escalada ainda maior da violência na fronteira entre Israel e Líbano.