O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reafirmou o compromisso do país em expandir os assentamentos judaicos na Cisjordânia, região também conhecida como Judéia e Samaria. Em um discurso realizado em Jerusalém, Netanyahu declarou que a área é "nossa terra" e que Israel está se preparando para uma "grande Aliá", termo que designa a imigração judaica para Israel. O líder israelense ressaltou que a porta está aberta para todos os judeus do mundo que desejem se estabelecer no território.
A declaração ocorre em meio a um contexto de tensões regionais e críticas internacionais. A expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia é considerada ilegal pela Organização das Nações Unidas (ONU) e viola as disposições da Convenção de Genebra, segundo o Tribunal Penal Internacional. Israel, no entanto, mantém a prática de estabelecer novas comunidades judaicas na região, muitas vezes começando com postos avançados que posteriormente são legalizados pelo governo.
Netanyahu mencionou que seu governo já estabeleceu e regularizou 104 assentamentos e 160 fazendas, e que a construção continuará. Ele destacou que a aquisição da terra ocorre "através do sofrimento" e que Israel não desistirá de sua visão territorial. A fala foi feita durante um evento promovido pelo Conselho Regional de Binyamin, que administra 47 assentamentos judaicos na Cisjordânia.
Recentemente, Israel abriu licitação para a construção de mais de 1.200 residências no projeto E1, localizado a leste de Jerusalém. Esse empreendimento, aprovado pelo governo de Netanyahu no ano anterior, prevê a construção de mais de 3.400 casas e criará um corredor territorial entre Jerusalém Oriental e o assentamento de Ma'ale Adumim. A iniciativa ameaça cortar as ligações rodoviárias entre as cidades palestinas de Ramallah e Belém, ao norte e ao sul de Jerusalém, respectivamente.
A proposta do projeto E1 foi rejeitada por oito países árabes e muçulmanos, incluindo membros do Pacto de Meca como Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, que a classificaram como uma "escalada perigosa". Além disso, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Comissão Europeia e quinze países europeus manifestaram condenação ao plano. Eles alertaram que a construção de E1 prejudica a viabilidade da solução de dois Estados, especialmente em um momento de instabilidade na Cisjordânia, com níveis inéditos de violência por parte de colonos contra civis palestinos e restrições severas à economia palestina.
Desde 2020, Netanyahu tem sugerido a possibilidade de anexar toda a Cisjordânia, mantendo essa opção "na mesa" mesmo após firmar acordos de paz com países árabes. Membros de sua coalizão mais conservadora, como o ministro das Finanças Bezalel Smotrich, pressionam para que a soberania israelense seja aplicada na região antes das eleições previstas para outubro de 2026.
Por outro lado, a expectativa de uma "grande Aliá" anunciada por Netanyahu enfrenta dúvidas. Dados indicam que desde o ataque do Hamas em 2023 e a guerra subsequente em Gaza, o número de israelenses emigrando tem aumentado. Entre 2024 e 2025, mais de 150 mil cidadãos deixaram o país, segundo levantamento da revista 972.
A expansão dos assentamentos na Cisjordânia e a possível anexação da região representam um desafio significativo para as negociações de paz e a estabilidade regional. A continuidade dessas políticas pode agravar os conflitos com a população palestina e gerar reações negativas da comunidade internacional, que vê tais ações como obstáculos à solução de dois Estados.
Em termos estratégicos, a consolidação dos assentamentos fortalece a presença israelense em áreas-chave da Cisjordânia, dificultando a criação de um Estado palestino contíguo e viável. Isso pode intensificar tensões internas e externas, afetando as relações diplomáticas de Israel, especialmente com países árabes que recentemente firmaram acordos de normalização. A pressão internacional sobre Israel deve aumentar, podendo resultar em sanções ou restrições diplomáticas.
Nos próximos meses, a situação deverá ser marcada por debates políticos intensos dentro de Israel, com a coalizão governista buscando implementar suas políticas de expansão e anexação antes das eleições. Paralelamente, a comunidade internacional e os países vizinhos monitoram atentamente os desdobramentos, que podem influenciar a dinâmica do conflito israelo-palestino e a estabilidade do Oriente Médio como um todo.