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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Israel anuncia manutenção de controle sobre parte do sul do Líbano após conflito com Hezbollah

Israel anunciou que manterá o controle de segurança sobre uma área do sul do Líbano até o rio Litani após o fim do conflito com o Hezbollah. A medida inclui a criação de uma zona tampão e a demolição de casas em vilas próximas à fronteira. O governo libanês e a comunidade internacional criticam a ação, que agrava a crise humanitária na região. O conflito já causou mais de 1.200 mortes no Líbano e deslocou mais de um

Israel anuncia manutenção de controle sobre parte do sul do Líbano após conflito com Hezbollah

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o país estabelecerá uma zona tampão no sul do Líbano e manterá o controle de segurança sobre uma faixa significativa do território mesmo após o término do atual conflito com o grupo armado Hezbollah. Katz especificou que a área sob controle israelense se estenderá até o rio Litani, localizado aproximadamente 30 km da fronteira com Israel. Além disso, afirmou que todas as residências nas vilas libanesas próximas à fronteira serão demolidas, numa medida que pretende eliminar ameaças à segurança das comunidades do norte de Israel.

A declaração gerou reações imediatas do governo libanês e da comunidade internacional. O ministro da Defesa do Líbano, general Michel Menassa, classificou as declarações de Katz como uma intenção clara de impor uma nova ocupação no território libanês. Países europeus, Canadá e a Organização das Nações Unidas também criticaram a postura israelense, ressaltando a violação da soberania do Líbano e o risco de agravamento da crise humanitária.

O conflito atual teve início após o Hezbollah lançar foguetes contra o norte de Israel em retaliação ao assassinato do líder supremo do Irã, ocorrido no final de fevereiro. Desde então, Israel intensificou seus ataques aéreos e enviou tropas terrestres ao sul do Líbano, iniciando uma ofensiva que já dura semanas. Antes mesmo do início desta escalada, Israel realizava ataques quase diários contra posições do Hezbollah, apesar do cessar-fogo estabelecido em 2024.

De acordo com dados do Ministério da Saúde do Líbano, mais de 1.200 pessoas foram mortas desde o início de março, incluindo pelo menos 124 crianças. A ONU informou que 52 profissionais de saúde também perderam a vida durante os confrontos. Do lado israelense, dez soldados e dois civis foram mortos em ataques do Hezbollah. Entre as vítimas recentes no sul do Líbano estão três capacetes azuis indonésios e três jornalistas libaneses, cuja morte foi confirmada pelo Exército Israelense, que os classificou como "terroristas" sem apresentar provas.

O conflito provocou o deslocamento de mais de um milhão de libaneses, cerca de um sexto da população do país, intensificando uma crise humanitária já grave. O governo israelense justifica suas ações como medidas necessárias para proteger as comunidades do norte do país contra ataques do Hezbollah.

Em um vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa, Katz detalhou que, ao final da operação, as Forças de Defesa de Israel (IDF) estabelecerão uma linha defensiva dentro do território libanês, protegendo-se contra ataques com mísseis antitanque e mantendo o controle de segurança até o rio Litani. Ele também reiterou que o retorno dos mais de 600 mil residentes do sul do Líbano que se deslocaram para o norte será proibido até que a segurança no norte de Israel seja garantida. Katz comparou a destruição das casas nas vilas fronteiriças libanesas ao que foi realizado em Rafah e Beit Hanoun, na Faixa de Gaza, com o objetivo de eliminar permanentemente as ameaças na fronteira.

A intenção de criar uma zona tampão já havia sido anunciada anteriormente, mas a recente declaração de Katz representa um avanço ao afirmar que as tropas israelenses permanecerão na região mesmo após o fim do conflito com o Hezbollah. Essa postura foi interpretada pelo governo libanês como uma ameaça concreta de ocupação e deslocamento forçado da população local.

O chefe da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, alertou ao Conselho de Segurança que a escalada atual agrava uma situação já crítica. Ele destacou o fechamento de 51 centros de saúde primários e quatro hospitais devido aos combates, além de danos em outras unidades de saúde que operam com capacidade reduzida. Fletcher questionou como a comunidade internacional deve se preparar para uma possível nova ocupação territorial diante do deslocamento coercitivo em curso.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, classificou a incursão terrestre israelense no Líbano como uma invasão ilegal que viola a integridade e soberania do país. Ele ressaltou que o governo libanês proibiu o Hezbollah e está tentando conter suas atividades terroristas, mas que isso não justifica a invasão israelense.

Ministros das Relações Exteriores de dez países europeus, incluindo Reino Unido, França e Itália, além da chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, emitiram uma declaração conjunta pedindo que Israel evite a ampliação de suas operações militares no Líbano e respeite a integridade territorial do país. Eles expressaram solidariedade ao governo e ao povo libanês, que sofrem as consequências de um conflito que não lhes pertence, e responsabilizaram o Hezbollah pela atual situação, pedindo o fim dos ataques do grupo em apoio ao Irã.

O sul do Líbano é a principal base da comunidade xiita do país, que apoia o Hezbollah, mas também abriga outras comunidades, incluindo cristãos. A invasão israelense gerou preocupação generalizada entre os libaneses, especialmente porque o acordo de cessar-fogo de 2024 previa o desarmamento do Hezbollah e a retirada do grupo do sul, sob supervisão do governo e do exército libaneses. Embora tenha havido algum progresso, ele foi parcial e o governo libanês sempre demonstrou incapacidade para desarmar o Hezbollah, o que mantém o risco de um confronto interno e o temor de uma nova guerra civil.

Katz justificou a ação afirmando que o governo libanês não tomou medidas efetivas contra o Hezbollah. Por sua vez, o presidente libanês Joseph Aoun condenou os planos israelenses como punição coletiva contra civis e sugeriu que podem fazer parte de esquemas para expandir a presença israelense no território libanês.

A situação permanece volátil, com o risco de escalada contínua e impactos humanitários severos. A manutenção de tropas israelenses em território libanês após o conflito pode alterar significativamente o equilíbrio regional, aumentando as tensões entre Israel, Líbano e Irã, e complicando os esforços diplomáticos para estabilizar a região. O futuro próximo dependerá da capacidade das partes envolvidas e da comunidade internacional de negociar um cessar-fogo duradouro e garantir a proteção da população civil.