O Ministério da Defesa de Israel declarou medidas de retaliação contra a França após o governo francês negar o acesso ao seu espaço aéreo para o transporte de armamentos destinados ao Oriente Médio. A decisão francesa, que impede a passagem de cargas militares, foi criticada publicamente pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou a atitude como "muito prejudicial" à campanha militar conjunta dos EUA e Israel contra o Irã. Trump também afirmou que Washington não esqueceria essa ação.
A restrição francesa faz parte de um embargo mais amplo sobre vendas de armas a Jerusalém Ocidental, implementado há mais de um ano. O diretor-geral do Ministério da Defesa israelense, Amir Baram, afirmou em entrevista que o governo pretende reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros de armamentos, especialmente daqueles países considerados não amistosos, como a França.
Em comunicado oficial, o Ministério da Defesa de Israel anunciou que suspenderá completamente as aquisições de defesa provenientes da França e cancelou uma visita planejada de um alto funcionário francês da área militar. Além disso, foi informado que não haverá novos contatos profissionais com as forças armadas francesas.
A visita da deputada Alice Ruffo, aliada próxima do presidente francês Emmanuel Macron e representante do Ministério das Forças Armadas da França, que estava programada para ocorrer em Israel, foi cancelada. Posteriormente, Ruffo viajou ao Líbano, onde participou da entrega de 39 veículos blindados franceses ao Exército libanês, região onde Israel mantém presença militar no sul do país.
O embargo francês sobre armas a Israel foi instaurado no final de 2024, como parte de uma estratégia para pressionar Jerusalém Ocidental devido às suas operações militares na Faixa de Gaza. Além disso, empresas israelenses do setor de defesa foram proibidas de participar de feiras de armamentos na França. Embora a França ainda exporte alguns produtos de uso dual para Israel, os volumes dessas exportações caíram significativamente, com uma redução de 60% em 2024 em comparação ao ano anterior.
No âmbito da OTAN, os aliados europeus têm demonstrado resistência em apoiar as ações militares dos EUA contra o Irã. Problemas foram relatados no uso de bases militares italianas e britânicas para campanhas de bombardeio, enquanto a Espanha rejeitou qualquer envolvimento e criticou os Estados Unidos e Israel pelo início das hostilidades.
A situação evidencia tensões crescentes entre Israel e França, refletindo divergências políticas e estratégicas no contexto do conflito envolvendo o Irã e o Oriente Médio. A decisão israelense de cortar relações militares com a França pode impactar a dinâmica de alianças e a cooperação em defesa na região.
Analisando os desdobramentos, a retaliação israelense pode levar a um aumento da autossuficiência em armamentos, incentivando investimentos em tecnologia nacional. Por outro lado, o rompimento com um parceiro tradicional como a França pode limitar o acesso a equipamentos e tecnologias europeias, afetando a logística militar israelense no curto prazo.
No cenário internacional, a postura francesa e a resposta israelense indicam uma possível reconfiguração das alianças estratégicas no Oriente Médio, com potenciais repercussões para as operações militares contra o Irã. O episódio também reflete a complexidade das relações entre países da OTAN e seus interesses divergentes na região, o que pode dificultar a formação de uma frente unificada em conflitos futuros.