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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Israel aprova força internacional com cerca de 200 tropas para zona humanitária em Gaza

Israel aprovou a entrada limitada de uma força internacional com cerca de 200 tropas para atuar em zona humanitária em Gaza, visando estabilização e desmilitarização da região.

Israel aprova força internacional com cerca de 200 tropas para zona humanitária em Gaza

O gabinete de segurança de Israel aprovou, em decisão inicial, a entrada limitada da Força Internacional de Estabilização (ISF) na Faixa de Gaza, conforme plano liderado pela organização Board of Peace. A força contará com cerca de 200 soldados provenientes de países considerados amistosos por Israel, incluindo Uganda e Marrocos, que devem ser os primeiros a enviar tropas para a região.

A aprovação do gabinete inclui a concessão de imunidade legal à ISF, conforme a Lei de Imunidades das Organizações Internacionais de Israel. A atuação da força será coordenada integralmente com as Forças de Defesa de Israel (IDF) em áreas fora do controle direto do exército israelense. A entrada dos soldados da ISF dependerá da autorização específica do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do ministro da Defesa Israel Katz e do ministro das Relações Exteriores Gideon Sa’ar.

O plano prevê o estabelecimento de uma zona humanitária piloto na região de Rafah, no sul de Gaza, onde as tropas israelenses se retirarão para dar lugar à ISF. Essa área servirá para permitir a realocação de civis palestinos previamente selecionados, afastando-os do controle do Hamas. O grupo palestino, que controla Gaza, ainda não aceitou desarmar conforme previsto no plano de 20 pontos proposto pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

A decisão do gabinete exclui países que não mantêm acordos de paz com Israel ou que atuam contra o Estado israelense em fóruns internacionais. Isso inviabiliza a participação de nações como Indonésia e Turquia, que não possuem relações diplomáticas formais com Israel e têm sido críticas à condução do conflito.

Além de Uganda e Marrocos, outros países como Albânia, Cazaquistão e Kosovo manifestaram interesse em contribuir com tropas para a ISF, embora Marrocos seja o primeiro a se comprometer com o envio efetivo de soldados. A proposta da Board of Peace tem sido discutida há meses e busca implementar um modelo de estabilização e desmilitarização gradual da Faixa de Gaza.

O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) informou que já concluiu as preparações institucionais e operacionais necessárias para assumir seu mandato na região, condicionado à retirada das forças israelenses e à autorização do Conselho de Segurança e da Board of Peace para o início da implantação da ISF.

Em encontro recente, representantes da Board of Peace apresentaram os detalhes do projeto ao primeiro-ministro Netanyahu, que manifestou uma resposta positiva, embora ressalvas e etapas adicionais ainda precisem ser cumpridas para que a operação tenha início.

O plano também contempla a flexibilização de restrições sobre a entrada de itens de uso dual em Gaza e a aprovação de medidas para a formação e entrada de uma força policial palestina, conforme previsto no acordo mediado pelos Estados Unidos.

A implementação da zona humanitária e a entrada da ISF enfrentam desafios políticos internos em Israel, especialmente diante da proximidade das eleições e da resistência de setores da coalizão governamental que temem o início da reconstrução enquanto o Hamas permanece armado em parte do território.

Desde o cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025, o conflito entre Israel e Hamas permanece em um estado frágil, com incidentes esporádicos de violência e ataques que resultaram em vítimas em ambos os lados. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, reporta mais de mil mortes desde o acordo, incluindo um número significativo de civis.

A aprovação da força internacional representa um passo importante para a estabilização da região, mas a efetiva implantação dependerá de decisões políticas futuras e da cooperação entre as partes envolvidas. A presença da ISF pode facilitar a transição para uma administração palestina mais ampla e contribuir para a desmilitarização progressiva da Faixa de Gaza.

Em termos estratégicos, a criação da zona humanitária e a entrada da ISF podem reduzir tensões imediatas na fronteira, oferecendo um ambiente controlado para a ajuda humanitária e a reconstrução. Contudo, o sucesso da iniciativa dependerá do equilíbrio entre segurança, política interna israelense e a disposição do Hamas em aceitar os termos do acordo.

O próximo período será decisivo para observar se as condições políticas permitirão avanços concretos na estabilização de Gaza, e como a comunidade internacional poderá apoiar esse processo sem comprometer a segurança regional. A cooperação entre Israel e os países contribuintes da ISF será fundamental para a credibilidade e eficácia da missão.