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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Israel aprova reforma na mídia que pode aumentar controle governamental antes das eleições

Israel aprovou reforma na mídia que amplia controle governamental sobre veículos antes das eleições de outubro, gerando críticas sobre riscos à liberdade de imprensa e à integridade eleitoral.

Israel aprova reforma na mídia que pode aumentar controle governamental antes das eleições

O Parlamento israelense, conhecido como Knesset, aprovou recentemente uma reforma ampla no setor de mídia, impulsionada pela coalizão de direita liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A legislação, aprovada pouco antes da dissolução do Knesset para as eleições previstas para outubro de 2026, tem gerado críticas intensas de organizações de defesa da liberdade de imprensa e de partidos da oposição. Essas entidades alertam que as mudanças podem comprometer a independência jornalística e influenciar o resultado eleitoral.

Entre as principais alterações, destaca-se o aumento do poder do governo sobre os meios de comunicação, a eliminação de requisitos mínimos para padrões jornalísticos e a revogação de limitações históricas sobre a propriedade cruzada de veículos de mídia. Tais medidas, segundo críticos, podem favorecer a concentração da mídia em mãos alinhadas ao governo e reduzir a diversidade de vozes e opiniões no país.

Após a aprovação da lei em 17 de julho, diversas organizações, incluindo a União dos Jornalistas de Israel, além de partidos da oposição, entraram com uma ação no Supremo Tribunal de Justiça para suspender partes da legislação. O foco da contestação são dispositivos que entrariam em vigor imediatamente, como a remoção dos limites para a propriedade múltipla de meios de comunicação e a eliminação das normas para redações jornalísticas. A preocupação é que essas mudanças possam alterar permanentemente o cenário midiático antes das eleições de 27 de outubro, influenciando o processo democrático.

O governo tem até o domingo seguinte para apresentar sua resposta, após o que o tribunal decidirá se mantém a suspensão, amplia-a ou permite que as medidas entrem em vigor. Algumas partes da lei consideradas menos controversas e que não entram em vigor imediatamente permanecem válidas.

O primeiro-ministro Netanyahu não participou da votação, em razão de um acordo de 2020 que o impede de atuar em decisões governamentais que possam afetar seu julgamento por corrupção. Ele é acusado, entre outras coisas, de usar sua posição para influenciar a cobertura da mídia sobre sua administração. Apesar disso, o ministro das Comunicações, Shlomo Karhi, agradeceu diretamente a Netanyahu pela conclusão da reforma, afirmando que a missão de implementar uma reforma midiática de direita foi cumprida.

Essa atuação direta do primeiro-ministro tem sido questionada por possíveis conflitos de interesse, embora o Ministério das Comunicações tenha declarado possuir parecer jurídico que afirma que Netanyahu não violou o acordo. Organizações internacionais de monitoramento da imprensa, como Repórteres Sem Fronteiras, classificam Netanyahu e Karhi como adversários do jornalismo independente em Israel, destacando que a intenção por trás das reformas é controlar a narrativa pública, especialmente em um ano eleitoral.

Karhi, em suas redes sociais, afirmou que a nova legislação promoverá uma cobertura mais alinhada à direita e menos regulada, ressaltando que a aprovação foi resultado de uma luta contra o que chamou de 'estado profundo', grandes empresários e redes de medo. Essa retórica reforça a percepção de que a reforma visa consolidar o controle governamental sobre os meios de comunicação.

Especialistas em mídia e acadêmicos israelenses apontam que as mudanças são parte de um processo contínuo de enfraquecimento da independência jornalística no país, fortalecendo canais considerados pró-governo e de direita, como o Canal 14. Esse canal, por exemplo, tem sido criticado por difundir teorias controversas, como a alegação de que Donald Trump venceu as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2020, o que levanta preocupações sobre a possibilidade de manipulação da informação durante as próximas eleições israelenses.

Além disso, análises indicam que a cobertura da mídia israelense apresenta um viés nacionalista acentuado, com pouca atenção dedicada à perspectiva palestina e ao sofrimento nas áreas afetadas pelos conflitos. Relatórios apontam que a crise humanitária em Gaza é minimizada ou ausente na programação de canais principais, e que denúncias de crimes de guerra e abusos são frequentemente ignoradas ou apresentadas com uma narrativa favorável ao governo.

A ausência de solidariedade com jornalistas palestinos e a restrição de acesso a áreas de conflito também são destacadas como fatores que limitam o pluralismo e a profundidade da cobertura jornalística. Painéis de discussão sobre os conflitos recentes tendem a ser compostos por ex-militares que apoiam as ações governamentais, restringindo o debate crítico.

Essa reforma midiática ocorre em um contexto de intensificação das tensões políticas internas e externas, com Netanyahu buscando manter uma imagem de liderança firme e progresso diante de desafios eleitorais. O controle ampliado sobre a mídia pode ser uma estratégia para moldar a opinião pública e reduzir críticas durante o período eleitoral.

Do ponto de vista estratégico, a consolidação do controle governamental sobre os meios de comunicação pode enfraquecer a diversidade de informações disponíveis à população, impactando a qualidade do debate democrático. Caso a reforma seja mantida, é provável que a cobertura das eleições e dos conflitos regionais seja ainda mais alinhada às posições do governo, o que pode gerar maior polarização social e internacional.

Além disso, a reação do Supremo Tribunal e a pressão da sociedade civil serão determinantes para o futuro do ambiente midiático em Israel. A suspensão parcial da lei indica que há resistência institucional às mudanças, mas o desfecho dependerá do equilíbrio entre o poder executivo e o Judiciário. O cenário para as eleições de outubro será marcado por esse contexto de disputa sobre a liberdade de imprensa e o controle da narrativa pública.