O Ministério para Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo de Israel publicou uma lista com os dez principais influenciadores considerados "antissemita e anti-sionista" para o ano de 2025. A relação inclui personalidades que não ocupam cargos políticos ou governamentais formais, mas que possuem grande alcance e influência nas redes sociais e na mídia.
Dos dez nomes destacados, seis são baseados nos Estados Unidos, entre eles o jornalista conservador Tucker Carlson, o ativista de extrema direita Nick Fuentes e a comentarista Candace Owens. A ativista ambiental sueca Greta Thunberg, que nos últimos anos tem se posicionado como defensora da causa palestina, aparece na segunda posição. O influenciador americano Dan Bilzarian lidera a lista.
O critério para a seleção considerou a frequência e o conteúdo das declarações feitas por esses indivíduos, avaliadas pelo ministério como antissemitas ou contrárias a Israel. A publicação ocorre em um contexto de deterioração da percepção sobre Israel entre o público americano, que tem se agravado desde o início do conflito com o Irã em fevereiro. Uma pesquisa recente indicou que cerca de 60% dos adultos nos EUA possuem uma visão desfavorável do país, aumento significativo em relação ao ano anterior.
Entre os citados, o jornalista britânico-palestino Abdel Bari Atwan, que ocupa a quinta posição na lista, contestou a classificação. Atwan, editor-chefe do jornal em língua árabe Rai Al-Youm, sediado no Reino Unido, afirmou que não pode ser considerado antissemita por ser ele próprio um semita que prega a convivência pacífica com judeus. Ele destacou que sua oposição é direcionada às guerras promovidas por Israel contra países como Líbano, Irã, Iêmen e a faixa de Gaza.
Atwan criticou a associação automática entre críticas a Israel e antissemitismo, apontando que isso representa um perigo para o debate público. Segundo ele, Israel não está acima de críticas, especialmente diante das ações militares e das consequências humanitárias na região de Gaza.
A divulgação dessa lista pode ser interpretada como uma tentativa do governo israelense de identificar e combater o que considera discursos que ameaçam sua imagem e segurança, mas também suscita debates sobre liberdade de expressão e os limites entre crítica política e preconceito.
Do ponto de vista estratégico, a publicação pode influenciar as relações diplomáticas e o ambiente político internacional, especialmente nos Estados Unidos, onde a opinião pública tem se mostrado mais crítica em relação a Israel. O reconhecimento público de figuras influentes como opositores pode intensificar polarizações e afetar alianças políticas, tanto internas quanto externas.
Além disso, o uso de critérios que misturam críticas políticas com acusações de antissemitismo pode gerar controvérsias e debates sobre a definição e o alcance do termo, impactando a forma como diferentes comunidades e governos abordam o tema. O desenvolvimento dessa situação exigirá monitoramento atento dos desdobramentos nas redes sociais, na mídia e nas arenas diplomáticas nos próximos meses.