As negociações diretas entre Israel e Líbano, mediadas pelos Estados Unidos, foram prorrogadas por mais um dia em Washington, sem que um acordo sobre a retirada parcial das tropas israelenses do sul do Líbano tenha sido alcançado até o momento. O diálogo, que já se estende por três dias, visa estabelecer um entendimento sobre a redução da presença militar israelense na região, com a substituição dos soldados por forças armadas libanesas em áreas específicas denominadas como "zonas piloto".
Inicialmente, a quinta rodada de negociações deveria ser concluída na quinta-feira no Departamento de Estado dos EUA, com a expectativa de assinatura de um acordo-quadro que autorizasse a retirada parcial do Exército de Defesa de Israel (IDF) de pequenas áreas dentro da extensa zona de segurança de seis milhas no sul do Líbano. No entanto, as divergências entre as partes impediram o fechamento do acordo, levando à extensão das conversas para sexta-feira.
Fontes israelenses indicam que a retirada proposta é limitada, já que o IDF manteria a maior parte da zona de segurança e recuaria apenas de áreas previamente desocupadas de infraestrutura do Hezbollah. Para desmantelar essa infraestrutura, o Exército israelense realizou operações que incluíram a destruição de vilarejos inteiros próximos à fronteira, justificando que tais locais eram utilizados pelo grupo libanês para planejar ataques contra Israel.
Apesar da ausência de um acordo, representantes envolvidos nas negociações relataram avanços significativos após um início conturbado. A tensão inicial foi agravada pela recente assinatura, pelos EUA, de um memorando de entendimento com o Irã, que incluía um cessar-fogo no Líbano e foi visto por Israel e Líbano como um fator que prejudica o processo de diálogo direto, uma vez que o objetivo das negociações mediadas pelos EUA era justamente limitar a influência iraniana na região.
A postura israelense endureceu-se no início das conversas, restringindo as áreas de retirada devido às pressões políticas internas enfrentadas pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Por sua vez, o Líbano adotou uma posição mais firme para contrabalançar a percepção de que o Irã teria maior controle sobre os assuntos libaneses.
Os negociadores libaneses apresentaram mapas com propostas de retirada mais amplas do que as aceitas por Israel até o momento, o que contribuiu para a manutenção das divergências. Contudo, nas últimas 24 horas, as diferenças entre as partes diminuíram, embora ainda insuficientes para a formalização de um acordo.
A pressão dos Estados Unidos para que um consenso seja alcançado antes do término das negociações motivou a prorrogação das conversas para o dia seguinte, com a expectativa de que o diálogo possa avançar para um entendimento que permita a implementação das mudanças na zona de segurança.
Analisando o contexto estratégico, a continuidade das negociações reflete a complexidade de equilibrar interesses regionais e internacionais, especialmente diante da influência do Irã e do papel do Hezbollah no Líbano. A manutenção da zona de segurança israelense, mesmo que parcialmente reduzida, indica a cautela de Israel em garantir sua fronteira norte contra ameaças percebidas.
Caso o acordo seja firmado, a substituição das tropas israelenses por forças libanesas pode representar um passo importante para a estabilidade na fronteira, reduzindo o risco de confrontos diretos. No entanto, a influência do Hezbollah e a dinâmica política interna de ambos os países continuarão a ser fatores determinantes para o sucesso e a implementação efetiva do acordo. A extensão das negociações sugere que, apesar das dificuldades, há interesse mútuo em buscar uma solução diplomática para a questão da presença militar israelense no sul do Líbano.